ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 22/09/2021

A obra cinematográfica “Corra”, de 2019, tem seu enredo pautado no racismo sofrido por um jovem negro ao visitar seus sogros, e assim, expõe diversas situações de racismo no cotidiano que a população negra está submetida nos Estados Unidos. Entretanto, esse cenário distópico está presente também no Brasil, herança de uma cultura escravocrata, que perpetua o racismo e obtém desigualdades raciais e a segregação como consequentes. Destarte, elucida-se a necessidade de analisar caminhos ao combate do racismo no país.

Primeiramente, é de suma importância salientar que o Brasil fora o último país da América a abolir a escravidão, e ainda, o fez por pressões comerciais externas, não por princípios de igualdade racial. Ademais, após a abolição, em 1888, os escravos livres não receberam suporte do Estado e acabaram por ter que viver às margens da sociedade, o que perpetua atualmente, uma vez que a população negra é a maioria nas favelas, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e compõem 70,8% de todos os 16,2 milhões que vivem em situação de extrema pobreza, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Dessa forma, é notória a desigualdade racial entre o tecido social e sua origem de processos históricos racistas, o que reflete o fracasso da sociedade verde-amarela de integrar o negro na condição de cidadão indiferente dos demais.

Coincidentemente a isso, em 2019, durante uma ação policial em uma favela na zona Oeste do Rio de Janeiro, um carro contendo uma família negra fora fuzilada enquanto voltava de um chá de bebê com oitenta disparos, segundo a polícia, os assassinatos ocorreram pois o veículo das vítimas fora confundido com o de criminosos. Assim, a manchete “80 tiros por engano” repercutiu por todo o território nacional, por ser um crime de cunho racista que custou a vida de uma família. Nessa conjuntura, esse caso é apenas a “ponta do iceberg” de crimes de racismo recorrentes, o que evidência, mais uma vez, o racismo estrutural no Brasil, ou seja, o conjunto de práticas institucionais, históricas, culturais e interpessoais que privilegia os brancos em detrimento de vidas negras.

Portanto, urge a necessidade de solucionar o impasse. Para isso, o Ministério da Cidadania, deve realizar políticas públicas que desfaçam a representação negativa dos negros, causada pelo racismo, oferecendo a equidade racial, ou seja, o ponderamento da oferta de vagas de trabalho e de ingresso em universidades com senso de justiça, a fim que negros sejam privilegiados nesse momento para que, em breve, seja possível alcançar a igualdade racial. Ademais, devem realizar campanhas antirracistas por meio de mídias televisivas de grande alcance para conscientizar a população acerca do racismo vigente no país. Assim, será possível combater o racismo no Brasil.