ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 28/09/2021
No seriado americano “Todo Mundo Odeia o Crhis”, há críticas à sociedade racista, em que existe diferença de tratamento e dificuldade de inclusão social para as pessoas que não são brancas, o que pode ser notório ao examinar a vida do personagem principal, que não consegue viver tranquilamente pelo fato de ser negro. Assim, não tão distante da ficção está a realidade brasileira, que presencia uma nação preconceituosa, e por isso é de extrema importância a existência dos caminhos para combater o racismo no Brasil. Sob tal óptica, é cabível analisar a estrutura histórica, como também a naturalização do racismo como fatores que retroalimentam a problemática.
A princípio, é possível afirmar que a história é responsável por explicar a atual situação das pessoas negras. Dessa forma, é fato que a abolição da escravidão com seu péssimo planejamento não inseriu socialmente os escravos que estavam a partir de então livres, o que prejudicou a futura educação, moradia e trabalho de tais sujeitos, que, sem nenhum apoio ou auxílio reparador, passaram a viver em péssimas condições, o que afeta até hoje os seus descendentes, graças ao status de pobreza repassado durante as gerações. Isso justifica a existência, na realidade hodierna, de inúmeras pessoas negras com a pouca possibilidade de uma boa perspectiva de vida e mobilidade social , o que estimula manutenção de diversos preconceitos , já que os fatos supracitados descrevem um contexto patológico.
Outrossim, é válido ressaltar que se tornou natural os atos de racismo no Brasil. Isso aconteceu porque as ações afirmativas existentes destinadas aos indivíduos afro-descendentes são ineficientes, pois foram baseadas numa falsa democracia racial, o que reflete a não preocupação governamental em reparar rapidamente os danos causados no passado. Nesse sentindo, a demora em tornar as leis mais rígidas e oferecer oportunidades aos negros bloqueia o caminho para o combate ao racismo e proporciona a sensação de impunidade aos racistas diante de suas atitudes, que se fortalecem durante o tempo que passa. Desse modo, é importante relacionar as condições vivenciadas pelos brasileiros ao termo “mal banal” criado pela filósofa alemã Hannah Arendt, que se refere a tornar comum presenciar ou até praticar uma situação peversa.
Infere-se , portanto, que a banalização e a herança histórica racista são óbices a serem superados. Para isso, é imprescindível que o poder legislativo aprimore e crie leis mais rigorosas para punir os racistas e criar oportunidades no meio social para as vítima de preconceito, a partir da intensa revisão e mudança das ações afirmativas que são ineficientes ao combate ao racismo, a fim de conter o avanço dessa chaga social para o futuro. Assim, será possível dissociar do termo “mal banal” os cidadões da terra das palmeiras.