ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 24/09/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein afirma que há, no Brasil, “cidadãos de papel”, ou seja, indivíduos que têm seus direitos garantidos apenas no plano teórico. Essa teoria pode ser exemplificada pela situação das pessoas negras no país, as quais, constitucionalmente, possuem as mesmas garantias que as brancas, porém, no cotidiano, são desrespeitadas e violentadas, tanto no âmbito moral quando no físico, por atos e costumes racistas. Diante disso, é essencial analisar os caminhos para combater o racismo no Brasil, que devem ser de responsabilidade de dois agentes: a escola e a família.

Em primeiro plano, destaca-se que a educação possui um papel fundamental na luta contra a intolerância racial na sociedade brasileira. Isso porque, segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), as escolas possuem o dever de formar os alunos para uma boa prática social. Sob essa perspectiva, é possível evidenciar que um cidadão capaz de viver bem em comunidade, conforme prevê a LDB, sabe respeitar todos os indivíduos, independentemente da sua cor ou etnia, e luta para que os direitos humanos consolidados pela Constituição sejam aplicados de forma igualitária e justa. Logo, é urgente que os centros educacionais brasileiros busquem integrar seus ensinamentos com o combate ao racismo, conscientizando os estudantes sobre o tema, de modo a efetivar a norma da LDB.

Em segundo plano, ressalta-se que o círculo familiar é outra instituição responsável pelo enfrentamento do racismo no Brasil. Nesse sentido, vale lembrar o sociólogo estadunidense Talcott Parsons, para quem “A família é uma fábrica de produzir personalidades”, isto é, contribui diretamente para a formação das ideias e das atitudes de um indivíduo. Posto isso, é provável que, se uma pessoa for criada em um ambiente racista, ela tenderá a reproduzir tal intolerância, da mesma forma que alguém conscientizado por seus familiares sobre a importância de se lutar contra o racismo, para efetivar a dignidade de todos os cidadãos, poderá ser um forte aliado a esse combate. Então, é importante que as famílias sejam incentivadas a estimularem o debate racial em seus lares.

Ficam claros, portanto os caminhos para combater o racismo no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Educação integrar seus centros educativos públicos e privados a esse combate, por meio de palestras e debates mensais, com ativistas e artistas locais, que discutam as origens e as possíveis soluções para a intolerância racial, atraindo a adesão dos alunos com pontuações extras de participação, a fim de formar os estudantes para uma boa prática social. É preciso, também, que o Ministério da Família estimule o debate racial nos lares brasileiros, por intermédio de propagandas televisivas que indiquem filmes e livros sobre o tema, acessíveis para todas as famílias, de modo a criar gerações menos intolerantes. Dessa forma, será possível erradicar o perfil de “cidadãos de papel” dos negros no Brasil.