ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 21/09/2021
“Não me descobri negra, fui acusada de sê-la”. Essa frase dita pela escritora Joice Berth é um retrato da realidade vivenciada todos os dias na sociedade brasileira, marcada por preconceitos de naturezas distintas, destacando-se o racial. Há muitas “Joices” no Brasil, perseguidas por uma condição inerente a essas pessoas e que lutam por uma mudança na estrutura opressora que baseia o país. Assim, faz-se válida a discussão acerca da herança cultural discriminatória e da manutenção desse legado nos dias atuais, a fim de propor caminhos que, de fato, combatam o racismo no Brasil.
É importante perceber, inicialmente, o legado histórico-cultural de opressão do negro dentro do território nacional. Tal legado leva em conta o processo violento de escravização e miscigenação do povo brasileiro que resultou em uma destituição da condição humana dos escravizados, que passaram a ser produto de troca por mais de três séculos. Nessa perspectiva, nota-se o etnocentrismo enraizado formação cultural brasileira, o que, até hoje, é alvo de discussão e ponto de partida para movimentos contemporâneos como o “Vidas Negras Importam”, iniciado há poucos anos, sendo indicativo da persistência do problema da violência racial atualmente.
Além disso, é preciso entender a manutenção dessa perspectiva construída ao longo dos séculos para a formação social e intelectual da população brasileira. Nesse caso, o processo de naturalização da miscigenação forçada e sua romantização proposta pelo sociólogo Gilberto Freyre constitui um grande pilar do sistema de opressão que nega direitos aos negros. Isso, porque, em sua obra fica explícita a ideia de que há, no Brasil, uma “Democracia Racial”, fato que, notadamente, não se concretiza na realidade social do país e que já foi refutado, inclusive, por escritoras como Djamila Ribeiro, que trata da questão como um problema estrutural de manutenção de uma mentalidade colonial preconceituosa. Afinal, o problema não é a cor, mas seu uso como justificativa para segregar e oprimir.
Portanto, é racional afirmar a necessidade de uma mudança estrutural na cultura discirminatória do povo brasileiro para com os negros. Dessa forma, para minimização dos problemas raciais coletivos que dificultam a consolidação de corpo social saudável, o Ministério da Educação deve atuar, juntamente com o Ministério da Cidadania - que trata das questões culturais no país -, na formação cidadã dos indivíduos. Tal fato deve ocorrer por meio da estruturação de disciplinas voltadas para o estudo de mazelas socioculturais que compõem o quadro brasileiro, estimulando a reflexão e a ação acerca delas. Assim, contribui-se para a criação de uma sociedade mais engajada que, finalmente, liberte os negros das amarras do preconceito e da ignorância.