ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 27/09/2021
Na África do Sul do século XX, ocorreu o “Apartheid”, uma triste política segregacionista que consistia na exclusão de pessoas pretas. Embora no Brasil pós-abolição da escravatura não tenha existido um regime de segregação racial formalmente imposto como o desse país africano, é verídico que a população negra e outros povos, geralmente os sem ascendência europeia, há centenas de anos são alvo de desigualdade socioeconômica, de preconceito e de marginalização na nação verde-amarela. A partir desse contexto, é válido analisar a raiz histórica dessa problemática, bem como o impacto que a precária educação brasileira tem para a sua persistência.
Convém pontuar, de início, que o racismo no Brasil é um reflexo do imperialismo eurocêntrico que colonizou essas terras a partir do ano mil e quinhentos. Uma prova disso foi a escravização de negros e o amplo genocídio indígena sob o pretexto de que esses povos seriam uma raça inferior. De forma corroborante, houve a disseminação de um ideal racial caracterizado pela valorização da cor branca, da origem europeia e da religião cristã.
Observa-se, ainda, que o principal fator responsável pela persistência da discriminação de outros povos além do típico europeu no Brasil é o precário sistema educacional do país. Isso se dá pois a educação formal tem como papel não só a preparação do indivíduo para o futuro profissional, mas também a formação de um cidadão crítico, autônomo e apto para a convivência em sociedade - o que necessita de tolerância e capacidade de lidar com a diferença. Tal fato é assegurado pela Constituição Federal, a qual afirma no artigo 205 que a educação visa “ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Portanto, fica evidente a importância do combate ao racismo no Brasil. Para mitigar tal conduta discriminatória, é necessário que haja investimentos econômicos do Ministério da Educação no desenvolvimento e implementação na grade curricular de todas as escolas brasileiras de uma disciplina que incentive a tolerância e o respeito às diferenças. Essa iniciativa deve contar com profissionais qualificados que possam palestrar sobre o tema com a perspectiva de diversas áreas - psicólogos, historiadores, advogados, entre outros - e pedagogos, os quais serão essenciais para a adequação da linguagem a cada faixa etária abordada. Assim, a nação verde-amarela poderá formar cidadãos que saibam lidar com o diferente, ao contrário dos colonizadores dessas terras.