ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 23/09/2021

No longa metragem “Estrelas além do tempo”, as três protagonistas sofrem discriminação em seu local de trabalho por serem negras, apensar da extrema competência que possuem. Fora dos tabloides da ficção, o racismo ainda permeia todas as esferas da sociedade brasileira. A fim de combater esse preconceito, é imperioso refletir sobre dois fatores: a necessidade de ultrapassar as barreiras históricas e a de superar o comportamento racista intrínseco à população brasileira.

Primordialmente, é necessário compreender que o modo que a escravidão cessou, em 1888, interfere significativamente nas relações sociais e econômicas que regem a sociedade atual. Dessa forma, é preciso relembrar que, ao fim do período escravista brasileiro, não foi proporcionado nenhum meio para que os ex escravos fossem devidamente inseridos no corpo social. Assim, os afrodescendentes continuaram a realizar serviços terceirizados, como ocorria antes da Lei Áurea. Esse fato é elucidado no filme “Histórias cruzadas”, o qual retrata os impasses de empregadas domésticas negras em meio à alta sociedade branca à qual eram submissas. Analogamente, os empregos mais desvalorizados socialmente ainda pertencem, majoritariamente, aos negros.

Ademais, é importante reconhecer que - em maior ou menor grau - a mentalidade discriminatória está presente em todos os brasileiros. Isso ocorre pois, conforme afirmou o sociólogo francês Émile Durkheim, “O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela”, e a herança cultural brasileira é permeada de preconceitos camuflados. Assim, o resultado desse fenômeno é o racismo implícito, que pode existir até no comportamento de alguns afrodescendentes e, segundo postulou o psiquiatra Frantz Fanon, esse processo faz com que esses negros, para obter reconhecimento social, busquem adequar-se ao padrão de vida branco, perdendo, assim, suas identidades.

Em epítome, faz-se impreterível tomar medidas para ajudar na luta contra o racismo no Brasil. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação promover a reflexão acerca do impacto histórico da escravidão nos relacionamentos hodiernos, por meio da inclusão na BNCC - Base Comum Curricular - de aulas e debates entre estudantes sobre as consequências da maneira que se deu a abolição da escravatura, a fim de que os jovens brasileiros não reproduzam cegamente os erros de seus antepassados. É, também, da competência desse órgão público supracitado, destacar a importância da educação antirracista na criação dos infantes, através de palestras nas escolas sobre esse tema, destinadas aos responsáveis e dirigidas por profissionais com autoridade na área, como psicólogos e pedagogos, para que, futuramente, não ocorra mais casos de preconceito racial, assim como acontecia no contexto de “Estrelas além do tempo”.