ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 27/09/2021
No filme “Infiltrados na Klan”, produzido pela Netflix, um policial norteamericano negro consegue se infiltrar na organização supremacista branca Ku Klux Klan. Ao longo da obra, é retratada rotina diária de violência e de preconceito vividos pelos negros nos Estados Unidos da década de 1960. Para além do cinema, o racismo sofrido por diferentes etnias, sobretudo a negra -como no filme-, no Brasil, ainda é muito comum nos dias atuais. Dessa forma, uma educação conscientizadora e uma maior presença da diversidade étnica na mídia são alguns dos caminhos para se combater o racismo no país.
É válido destacar, inicialmente, que o racismo no Brasil possui raízes históricas na colonização do país, na qual a venda, a exploração e o tráfico de indivíduos negros foram legalizados pelo Estado e justificados pela Igreja Católica durante mais de trezentos anos. Dessa forma, a subjugação dessa etnia enraizou-se na sociedade e se perpetuou até a atualidade, estando presente desde a mais tenra idade do cidadão. Essa perspectiva associa-se ao conceito “banalização do mal”, criado pela pensadora alemã Hannah Arendt, a qual afirma que um indivíduo, quando exposto constantemente a uma determinada situação, sendo ela agradável ou criminosa, tende a normalizá-la. Assim aconteceu com a população brasileira, que banalizou e, consequentemente, perpetuou o racismo. Com isso, uma educação capaz de questionar e combater essa conjuntura é fundamental para quebrar esse ciclo.
Além disso, é de fundamental importância a ampliação da presença da diversidade étnica em papéis de destaque nos meios de comunicação, como em novelas, por exemplo. Tal fato ocorre, pois inúmeros estigmas ainda são propagados e a visibilidade e empoderamento de diferentes etnias -como a negra, a indígena- são dificultados. Um exemplo dessa realidade foi o ocorrido na telenovela “Segundo Sol”, da Rede Globo. A obra foi muito criticada, pois mesmo ambientada na Bahia -local com a maior quantidade de negros fora da África-, possuía no seu núcleo principal apenas atores brancos. Isso demonstra o longo caminho a ser percorrido contra o racismo.
São necessárias, portanto, medidas que contribuam com o combate ao preconceito étnico. Para isso, o Ministério da Educação deverá promover a construção do senso crítico em crianças e adolescentes por meio de aulas de humanidades e palestras com profissionais de história e da educação, nas escolas públicas e prvadas, a fim de que a origem do racismo e sua crueldade sejam ensinadas desde cedo para quebrar com o ciclo que se perpetua. Ademais, cabe às emissoras de televisão valorizar os profissionais negros, por meio de ações afirmativas que promovam a maior inclusão desses em telenovelas, bem como em outros papéis de destaque ao longo da programação, a fim de que a subjugação a essa minoria seja posta em fim e a abolição possa ser de fato concretizada.