ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 24/09/2021
A série “Falcão e o Soldado Invernal”, produzida pela Marvel, narra as dificuldades enfrentadas por Sam, um homem negro, para ser reconhecido enquanto um super-herói. Analogamente, ao voltar à realidade brasileira, vê-se que o mesmo racismo vivenciado pela personagem segue impedindo pessoas de possuírem uma vida digna em nosso país. Nesse contexto, é necessário encontrar caminhos para combater a discriminação racial no Brasil, os quais só serão viabilizados a partir da superação das suas principais causas: a falta de participação política e a herança de um passado escravocrata.
Em primeiro plano, cabe destacar que o racismo tem raízes na pouca representatividade dessa camada social. Sob tal ótica, segundo dados do IBGE, menos de um quarto dos deputados federais brasileiros são negros, apesar do número de candidatos aos cargos ter aumentado nos últimos anos. Além de refletir o quanto a população ainda enxerga pessoas como incapazes pela cor da pele, esse cenário alarmante dificulta a existência de uma luta ativa e representativa contra a discriminação racial na esfera pública. Tais dados são revoltantes e comprovam que a falta de participação política contribui para a persistência do racismo no país.
Além disso, é importante pontuar a herança escravocrata da sociedade brasileira. Acerca dessa lógica, conforme debatido por Sérgio Buarque de Holanda, as conseguências negativas do trabalho compulsório negro podem ser facilmente visualizadas na país. Logo, a falta de assistência depois da Lei Áurea, aliada ao crescimento de teorias “científicas” que justificavam a superioridade branca no século XIX, resultaram em uma conjuntura preocupante: a maioria dos indivíduos em situação de miséria no Brasil são negros. Infelizmente, isso aponta que a herança segregadora do passado histórico brasileiro ocasioana a discriminação racial.
Portanto, sabendo disso, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos deve elaborar propagandas de incentivo à representatividade negra na política, por meio de campanhas veiculadas nas mídias sociais de largo alcance que enfatizem a necessidade de dar voz a camadas inferiorizadas da sociedade, a fim de aumentar sua participação política. Ademais, o Ministério da Educação deve ampliar a aplicação da pedagogia de Paulo Freire, a partir de debates acerca da história da discriminação racial no país, ampliando a capacidade crítica do aluno quanto ao racismo e diminuindo a influência da herança escravocrata. Assim, mais pessoas como Sam terão oportunidade de se tornarem super-heróis no Brasil.