ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 24/09/2021

No ano de 1888, o Brasil proibiu a escravidão de negros no país sendo a última nação das Américas a exercer tal medida. Na contemporaneidade, o atraso na criação de uma sociedade racialmente igualitária se mantém, sustentado pelo racismo rotineiro no país. Assim, é essencial buscar caminhos, como o investimento em uma educação crítica e a valorização da cultura afrodescendente, para combater o preconceito racial brasileiro.

Primeiramente, é fundamental discutir a capacidade educacional de criar uma sociedade mais igualitária racialmente. Para expandir esse viés é importante conhecer a teoria do pedagogo Paulo Freire, a qual assegura a condição transformadora da educação quando ela é usada para estimular o pensamento crítico e consciente. Nessa realidade, é plausível conectar um ensino conscientizador com uma sociedade que reconhece seus preconceitos e luta para combatê-los diariamente. Isso ocorre porque uma educação que aguça a criticidade é capaz de fazer o cidadão perceber sua realidade de uma forma mais profunda e assim ver os pequenos e grandes atos preconceituosos que sustentam todo o sistema racista. Em suma, é notória a necessidade de investir em um ensino mais consciente e crítico para combater o racismo no Brasil.

Ademais, é vital debater a responsabilidade da valorização da cultura afrodescente na construção de uma realidade menos racista. Uma forma de expandir essa concepção é pelo conhecimento da ideia do sociólogo Bakhtin, a qual foi nomeada de “carnavalização” e define o conceito de criar humar sobre um tema que deveria ser levado a sério. Nesse contexto, é possível reconhecer a tendência racista da sociedade de tratar algumas das tradições afrobrasileiras de forma humorística e superficial sem reconhecer a seriedade por trás de cada parte da cultura e, por isso, recusando a valorização respeitosa e consciente. Sendo assim, é compreensível a importância de buscar valorizar respeitosamente a cultura afrodescendente para combater o racismo ainda existente no Brasil.

Portanto, haja vista o constante atraso brasileiro na criação de uma sociedade racialmente igualitária, é imprescindível que o Ministério da Educação, responsável pelo formação educativa dos cidadãos, invista na adição ao currículo escolar de um ensino que estimule a criticidade e consciência. Tal medida deve ser executada por meio de aulas no estilo “Freiriano” que se baseiem em problemas sociais reais buscando debatê-los com a mediação de professores. Além disso, é necessário que o Governo busque valorizar a cultura afrodescendente brasileira, por intermédio de feiras culturais anuais com palestras, shows musicais e apresentações de dança, em instituições educacionais, os quais devem expor o contexto cultural e informar acerca dele. Tudo isso a fim de criar um Brasil mais igualitário e combater o racismo impregnado na sociedade desde os tempos coloniais.