ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 24/09/2021
Elza Soares, cantora brasileira, com os versos “É a carne negra que vai de graça para o presídio, para debaixo do plástico e vai de graça para o sub-emprego” denuncia a realidade adversa enfrentada pelo povo negro na sociedade brasileira. Isso posto, é lícito analisar que a lógica da canção evidencia que o preto libertou-se de um sistema escravocrata que imperou por séculos na história do Brasil, contudo ainda encontra-se preso a estereótipos e preconceitos enraizados desde a estruturação do país. Nesse sentido, infere-se necessário considerar meios para destruir as fundações dessa problemática social, a citar, o reparo às injustiças históricas e a reavaliação da seletividade penal.
Em primiera análise, é coerente considerar que o fato de o Estado Nacional do Brasil ter sido edificado a partir de um regime de escravidão que ceifou a dignidade e os direitos do indivíduo negro reflete nos dias atuais. A vista disso, considerando que mesmo com a abolição desse sistema, em 1888, não houveram mecanismos eficientes para a inserção desse povo no corpo social, realidade que foi responsável por institucionalizar a segregação racial, tal que faz imperar preconceitos que impedem a igualdade assegurada por lei na prática das relações sociais. Nessa perspectiva, Nelson Mandela, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1993, defendia que “Ninguém nasce odiando outras pessoas por sua cor de pele, origem ou sua religião. As pessoas podem aprender a odiar, e se podem aprender a odiar. pode-se ensiná-las a aprender a amar”. Ou seja, a educação é um dos caminhos para a batalha contra o preconceito racial.
Em segunda análise, é lícito considerar que a existência do racismo institucional e estrutural na sociedade brasileira é evidenciada na seletividade penal e policial que tem como alvo a carne negra, haja vista que em decorrência das iniquidades históricas ocorreu um processo de marginalização desse povo. Nessa perspectiva, por estar à margem da sociedade esse grupo declina-se da garantia de direitos básicos como saúde, educação e moradia digna e aproxima-se de uma realidade de violência e pobreza. A exemplo disso, um paradoxo tomou grande repercussão nas redes sociais por evidenciar o racismo judicial entre os casos de Thor Batista e Rafal Braga: o primeiro, branco e filho de milionário, foi absorvido de patropelar e matar um ciclista, enquanto o segundo, pobre e negro, preso por portar uma garrafa de desinfetante nas manifestções de junho de 2013.
Percebe-se, portanto, que o combate ao racismo no Brasil precisa ter suas fundações desfeitas. Para tanto, a família, como primeira instituição social, deve preparar o indivídio para viver em sociedade a partir do respeito ao indivíduo independente de sua cor, origem ou religião, por intermédio da educação antirrascista e do exemplo comportamental, a fim de garantir a dignidade do negro.