ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 28/09/2021
O abuso de força policial constatado no sufocamento do estadunidense George Floyd, em 2020, retrata uma situação de preconceito racial que ainda existe no mundo moderno. Diante disso, faz-se relevante a construção de caminhos para combater o racismo, principalmente, no Brasil. E isso só será possível por meio de uma educação libertadora e da representatividade, as quais irão proporcionar a conscientização da sociedade.
De início, o racismo persiste pela falta de uma educação crítica que mostre a população os problemas de normalizar discriminações por conta da cor da pele, como, o uso da palavra “negra” com carga negativa, enquanto “branca” detém o sentido oposto. Dito isso, de acordo com o pedagogo Paulo Freire, quando a educação não é libertadora ora o oprimido torna-se opressor, ora as pessoas não percebem as desigualdades do meio no qual estão inseridas. Sob tal óptica, é notável que se existir um ensino que propague a igualdade e o respeito, consequentemente, os cidadãos terão consciência dos atos racistas enraizados e poderão mudar. Portanto, a educação têm o poder de transformar a percepção preconceituosa em valores.
Outrossim, a identificação gerada pela inserção da comunidade negra em espaços de grande maioria branca demonstra que esse grupo tem importância e que deve ser reconhecido. Isso posto, segundo a escritora Djamila Ribeiro no seu livro “Pequeno Manual Antirracista”, a representatividade tem papel de mostrar que todos são iguais, entretanto, isso geralmente não acontece, por exemplo, nos cinemas antigos a população negra era representada pelo “black face” (pessoas brancas com o rosto pintado de preto). Nessa perspectiva, trazer os negros como protagonistas e reconhecer suas habilidades enquanto seres humanos simboliza o conceito que todos os indivíduos têm valor e que sua raça não os limita e não os diferencia. Dessarte, a representatividade busca a autoidentificação da comunidade negra, como também desmistifica os preconceitos raciais.
Logo, medidas necessitam ser tomadas para combater o racismo no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deve criar projetos que visem os Direitos Humanos nas insituições educacionais e nos espaços públicos, mediante palestras com professores especializados e com pessoas da comunidade afro-brasileira, para que a sociedade possa rever o preconceito e trate com respeito, independente da cor da pele, os outros cidadãos. Além disso, o Estado e as empresas precisam formar programas que recorram a diversidade racial em áreas como artes e pesquisas científicas, por intermédio de cotas e órgãos que fiscalizem se os ambientes de trabalho dão espaço e reconhecimento para negros, a fim de que a população negra reja representada e o proposto por Djamila Ribeiro aconteça.