ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 27/09/2021
A série norte-americana “Todo Mundo Odeia Chris”, denuncia, de forma cômica, o racismo institucional, presente em vários ambitos sociais, por muito tempo normalizado. Paralelamente, no Brasil, tais formas de opressão e apagamento da população negra também são reproduzidas e, diferentemente dos Estados Unidos, afetam a maioria da nação. Dessa forma, é fundamental que haja tentativas ativas de combater o racismo no país, a citar, a desnaturalização do olhar racista e a valorização da representatividade da população negra em todos os espaços.
O racismo no Brasil é normalizado socialmente, sendo perpetuado de forma geracional e construindo uma cultura que vê a discriminação racial de forma passiva. Tal processo pode ser explicado pela teoria da “Docialização dos Corpos” de Michel Foucault, que consiste na inércia das pessoas em situações de caos, causadas por longos processos de educação por parte dos poderes vigentes que doutrinam a normalização e aceitação de muitos tipos de opressão. Portanto, para que se possa combater o racismo é preciso primeiramente desconstruir essa docialização e reconhecer os preconceitos individuais e institucionais.
Em segundo plano, a representatividade negra na política e na mídia é essencial para a inclusão e para combater a naturalização da opressão. Essa integração é crucial, visto que, de acordo com o Instituto Paraná Pesquisas, 56% dos brasileiros se identificam como negros ou pardos, mas evidentemente não são representados de forma proporcional. Na política, por exemplo, a falta de representação causa a negligência dos direitos das pessoas negras e a manutenção do racismo institucional. Já no meio artístico, a falta de inclusão causa a perpetuação de estereótipos e a exclusão de jovens negros que não se vem na mídia de forma positiva. Dessa forma, a integração da população negra nesses espaços é um caminho fundamental para combater o racismo no Brasil.
Em síntese, cabe aos Poderes Políticos assegurarem a representação através do incentivo e investimento em programas sociais que empoderem a população negra a entrar na política, integrando assim os direitos e interesses de 56% da população. Junto a isso, é preciso que o Ministério da Cultura crie espaço para artistas negros na mídia, dessa forma quebrando estigmas perpetuados socialmente trazendo representações positivas, rompendo, assim, o ciclo de docialização dos corpos e a naturalização do olhar racista. Através desses caminhos é possível combater o racismo de forma efetiva no Brasil, assim não reproduzindo cenários de opressão como os representados em “Todo Mundo Odeia Chris”.