ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 26/09/2021

O racismo, no Brasil, insere-se no contexto colonial da chegada dos primeiros europeus à América: segundo a História, estima-se que, ainda no século XVI, 40% dos africanos escravizados eram comercializados para o Brasil . Sob esse viés, pela conduta colonial de dessocialização e despersonalização do escravizado, as desigualdades raciais se impregnaram nas entranhas do país em seu estágio embrionário, o que, lamentavelmente, ainda torna a democracia racial um mito na sociedade brasileira do século XXI. Contra isso, pois, a educação e a política são caminhos inalienáveis.

Para que, a princípio, as bases do Brasil se desprendam do racismo estrutural, faz-se primordial priorizar a força educacional nesse processo. Isso porque educar, criticamente, o povo brasileiro quanto a esse passado colonial e aos seus reflexos no presente é fundamental para que seja gerada uma consciência coletiva não de repetição sistemática, mas sim de reparação e remissão em contraposição a esse ranço histórico fortemente latente. Sobre essa questão, o sociólogo Florestan Fernandes, que estuda os impactos da colonização na história brasileira, acredita na educação como instrumento de elevação cultural e desenvolvimento social dos grupos historicamente segregados, assim como tem sido a população negra do Brasil em seus cinco séculos de história documentada.

Ademais, a política pode e deve se juntar à educação nesse combate emblemático, haja vista que a representatividade e a assistência governamentais são ferramentas extremamente necessárias para que se constate, de fato, um sistema de reparação racial. No entanto, o que se nota, no país, é um comportamento negacionista absurdo contra fatos consumados. Exemplo disso é o Hino da República, de 1890, em que se declama “nós nem cremos que outrora tenha havido escravos em tão nobre país”. Escorados nisso, os brasileiros se sentem em uma ilha de democracia racial cercada de racistas. Nesse sentido, é, no mínimo, ignorante permitir que essa “Política de Eufemismos” assente em negacionismos, tese da qual fala a antropóloga Lilia Schwarcz, continue a espalhar mentiras que não só ferem o imaginário popular, mas silenciam, reprimem e matam, persistentemente, as vítimas de racismo no Brasil.

Portanto, nota-se necessário minar o racismo no Brasil. Em busca disso, as Secretarias de Educação devem enfatizar a interdisciplinaridade das matérias de Ciências Humanas na formação educacional dos brasileiros. Isso deve ser feito por meio da junção das disciplinas de História, Filosofia e Sociologia em aulas aprofundadas, seminários e rodas de debate voltados à história do país com olhar crítico para as marcas do racismo na sociedade atual, passando pelo Brasil Colônia, Império e República, a fim de que o status de “nação” sirva, enfim, para todos, e não apenas para os privilegiados historicamente.