ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 28/09/2021
Na produção “AmarElo - É Tudo Para Ontem”, o cantor Emicida destaca as contribuições da população afrodescendente para a formação do meio cultural e econômico brasileiro. Associado a isto, o filme destaca a importância da visibilidade de expressões artísticas negras, uma vez que atuam como um mecanismo que decompõe o preconceito. Através da perspectiva retratada no enredo do filme, percebe-se que a estruturação brasileira baseada na exploração da mão de obra negra promoveu a manutenção do racismo na atualidade. Logo, faz-se válido analisar como a perspectiva histórica interfere nisso e como a falta de representatividade impossibilita esta questão.
Primordialmente, torna-se importante ressaltar que, segundo o filósofo Silvio de Almeida, o racismo constitui-se como a representação do imaginário social sobre as identidades raciais, de modo que o branco é mantido em posição de líder nato e racional enquanto que o negro em condições subalternas. Através disso, percebe-se que a manutenção e criação desse ideário, que inferioriza indivíduos afrodescendentes, está intrísicamente relacionada com a perspectiva colonial, visto que a abolição tardia e a ausência de auxílio para os indivíduos “libertos” institucionalizou a exclusão de pessoas negras em espaços de poder na sociedade hodierna. Por conta disso, a efetividade das ações afirmstivas torna-se imprescindível, uma vez que atuam como mecanismo de inclusão de populações historicamente marginalizadas.
Outrossim, é relevante destacar que, de acordo com o filósofo Frantz Fanon, a existência do homem negro é sempre direcionada ao outro, ou seja, a busca pelo reconhecimento irá leva-lo em direção à norma branca, devido a isso restará para ele o não reconhecimento. Por meio disso, pode-se compreender que quanto maior for a aproximação, fenotípica ou cultural, do indivíduo afrodescendente com características “brancas”(associdas aos padrões de beleza europeu) mais volorizado ele será. A partir disso, perecebe-se que, apesar da beleza negra ocupar espaços que anteriormente lhe era restrito no mercado da beleza e da publicidade, o racismo presente na sociedade brasileira ainda define os padrões estéticos com referências às caracteística europeias. Através disso, ocorre a manutenção de esteriótipos que define o indivíduo preto como “feio”. Logo, é preciso que a diversidade faça parte da indústria publicitária de froma efetiva para que haja a representatividade.
Portanto, faz-se necessário que o Ministério Público fiscalize a efetividade das ações afirmativas, por meio da existência de ouvidorias que possibilitem a comunicação com a população negra, para que através disso ocorra de fato a inclusão.Além disso,é preciso que o Governo, através do Poder Legislativo, crie leis que garantam a diversidade em propagandas, para ocorrer a representatividade.