ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 28/09/2021

O filme “Corra!”, produzido por Jordan Peele, conta a história do jovem Chris, que é perseguido e subjugado pela família de sua namorada apenas pelo fato da sua pele ser negra. Fora da ficção, observa-se que, no Brasil atual, as ocorrências de racismo têm sido cada vez mais frequentes e compartilham o mesmo motivo da película: apenas por uma cor diferente. A partir desse prisma, faz-se válido analisar caminhos para combater essa discriminação, como o investimento em uma educação de base e o combate do preconceito estrutural da sociedade.

A priori, segundo o filósofo John Locke, em sua teoria da tábula rasa, o indivíduo nasce como uma folha em branco e suas experiências e aprendizados irão preencher esse espaço. Diante dessa perspectiva, percebe-se que o cidadão surge livre de entendimento de mundo e de preconceitos, e tem sua página preenchida conforme o que lhe é apresentado. Desse modo, uma educação de base, que instrua de modo adequado e efetivo acerca do racismo e seus malefícios, para a sociedade e para vítima, irá prevenir a ocorrência de casos desse crime no Brasil. Assim, a máxima pitagórica faz-se presente: educando-se as crianças, não será necessário punir os adultos. Isso porque, sendo o preconceito racial um crime, a falta de um processo educacional libertador gerará criminosos no país.

Ressalta-se, ainda, que é necessário reverter o preconceito que está enraizado no seio da nação brasileira e garantir o princípio da isonomia. À luz da filosofia de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos. Entretanto, nota-se que, no Brasil, a perspectiva racista, construída sobre um passado de escravidão dos negros, não permite que as diretrizes garantidas a todos se cumpram. Então, observa-se que a estruturação preconceituosa reverbera um comportamento que exclui e joga à margem do país os que não possuem pele de cor branca. Dessa maneira, acontece o habitus, pressuposto por Pierre Bourdieu, o qual afirma que um comportamento de massa é visto como banal, pois é praticado há muito tempo e ocorre de modo constante. Assim, a dor da vítima acaba sendo banalizada e o crime ecoado.

Nota-se, portanto, que é preciso que o racismo seja combatido no Brasil. Para tanto, é preciso que o Ministério da Educação – MEC - invista numa educação de princípios libertadores, por intermédio da adição da disciplina “Ética e cidadania” na base nacional comum curricular, com o objetivo de instruir o indivíduo acerca da igualdade de todos e evitar o preconceito. Faz-se necessário, ainda, que o Ministério da Justiça, em parceria com a mídia social, faça campanhas em horário nobre acerca do preconceito racial, com a participação de figuras influentes, a fim de informar sobre a criminalização dessa atitude e gerar reflexão. Desse modo, então, a realidade vivida por Chris não será a dos cidadãos brasileiros.