ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 07/10/2021

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso” exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que o racismo - grave problema a ser enfrentado pela sociedade – resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a falta de empatia – reflexo do individualismo - solidificam tal mazela.

A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a igualdade é um direito social. Nesse sentido, imagina-se que a repressão de qualquer tipo de violência racial é oprimido por tais direitos, pois havendo igualdade, nenhum indivíduo é considerado superior ao outro. No entanto, infelizmente, o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, já que grande parte da sociedade ainda sofre com essa paridade. Esse sofrimento ocorre pela falta de medidas públicas que estimulem a parcela racial mais vulnerável de se integrar totalmente na sociedade, uma vez que é alvo de diversas injúrias, além da desigualdade. Portanto, é inadmissível a ineficácia do governo em não defender as garantias básicas da população verde- amarela.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Isso é devido ao fato de que a população não se articula por mudanças no cenário discriminatório atual. Na obra “Modernidade Líquida” , Zygmunt Bauman defende que a pós- modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência, a falta de busca pelo combate ao racismo no Brasil, pois muitos não veem tal mecanismo como necessário, ao não serem atingidos pelo mal e não serem afetados, apresentando egoísmo e falta do bem empático. Assim, essa liquidez que influi sobre a questão do racismo funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Portanto, são necessárias ações para que se obtenha o caminho de combate à violência racial. Para isso, é imprescindível que o Ministério das Comunicações - por intermédio da inclusão do projeto nas Diretrizes Orçamentárias - desenvolva debates em programas televisivos com a participação de especialistas em Direito, a fim de apresentar visão crítica e mostrar os reais impactos do impasse em toda a sociedade, que além de ir contra os princípios constitucionais do país, afetam todos, além de vincular depoimentos de vítimas de racismo, estimulando assim, a empatia e a vontade pelo bem comum. Assim, será consolidada uma sociedade em que o Estado desempenha corretamente seu papel social, bem como o Brasil andará rumo à ordem e ao progresso.