ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 07/10/2021
Em sua obra “Sobrevivendo no Inferno”, o grupo musical Racionais MC’s expõe, por meio de textos musicais, a difícil realidade enfrentada por negros em seu cotidiano, os quais são alvos frequentes de discriminação por sua cor. Nesse contexto, os relatos apresentados pelos Racionais MC’s condizem com as circunstâncias do Brasil contemporâneo, em que o racismo é comum, e a igualdade de condições sociais entre indivíduos de diferentes aspectos raciais não se evidencia. Diante disso, aspectos históricos e a normalização da discriminação racial são fatores que reforçam a permanência do preconceito racial na sociedade.
De início, é relevante mencionar o pensamento do célebre historiador Sérgio Buarque de Holanda, segundo o qual, conforme exposto em seu ensaio “Raízes do Brasil”, as origens do povo brasileiro influenciam o atual contexto nacional, no qual a desigualdade racial permanece presente desde os tempos coloniais. Assim, atitudes e pensamentos preconceituosos são incorporados de maneira estrutural na mente coletiva, devido aos impactos de vivências históricas ainda não superadas, uma vez que diferenças nas formas de tratamento entre brancos e indivíduos de outras cores foram propagadas ao longo das gerações. Dessa forma, faz-se necessário superar essa nefasta herança histórica.
Ademais, a alienação social em relação à persistência do racismo nas relações hodiernas colabora para a manutenção da problemática. Nesse sentido, o escritor português José Saramago demonstra, no livro “Ensaio sobre a Cegueira”, as consequências da falta de atenção às necessidades dos indivíduos ao redor, conduta que promove a exclusão social e a negação de existências. Dessa maneira, a carência de empatia diante de grupos que são vítimas de racismo produz a normalização dessa forma de discriminação, de modo que injustiças sociais — como os salários mais baixos e maiores índices de criminalidade entre negros do que entre brancos —, tornam-se banais.
Portanto, verifica-se a crucialidade de se enfrentar os aspectos estruturais que sustentam o racismo. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação — agente fundamental na formação socioeducacional dos cidadãos —, a organização e execução de palestras informativas, a serem aplicadas em lugares públicos, a fim de informar a população acerca da importância de se romper com tendências discriminatórias históricas e com a desatenção às realidades daqueles que sofrem em virtude de comportamentos preconceituosos. Com isso, será possível mitigar a discriminação racial no Brasil.