ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 08/10/2021
Em “Todo Mundo Odeia o Chris”, série norte-americana, é retratado -em vários episódios- o preconceito sofrido pelo personagem Chris, único aluno negro da sua escola. Fora da ficção, essa realidade é bastante comum no Brasil, haja vista a persistência do racismo no país. Nessa perspectiva, é mister analisar a desinformação, bem como os impactos acarretados ao bem-estar social, para que a celeuma possa ser combatida.
É fulcral pontuar, a princípio, que a massificação de pré-noções subvertidas em torno do combate ao racismo tende a distorcer a percepção coletiva sobre a problemática. A esse respeito, é pertinente aludir ao pensamento do teórico Gilberto Dimenstein, cuja ideia denota a informação precisa como preponderante para o indivíduo agir de forma coerente no âmbito coletivo. Entretanto, uma parcela da sociedade brasileira vai de encontro à perspectiva do autor, à medida que compreende os negros sob a ótica do preconceito. Diante disso, observa-se o estigma perverso, por exemplo, em discursos falaciosos, os quais associam corpos retintos a ladrões e a seres inferiores, além de resumir a luta por igualdade a “mimimi”. Nessa conjuntura, verifica-se a necessidade de mudança do imaginário coletivo.
Outrossim, é premente evidenciar o cenário supracitado como nocivo para a harmonia social. Dessa forma, Émile Durkheim, sociólogo francês, compreende a sociedade enquanto um organismo vivo, no qual a integridade do conjunto depende do bom funcionamento das partes. Analogamente à premissa durkheimiana, depreende-se que o racismo tende a fomentar um corpo coletivo enfermo, visto o contingente de cidadãos acometidos por esse tipo de preconceito que, perante o julgamento de outros, têm seus direitos reduzidos. Consequentemente, essa parcela da população é marginalizada, tendo seus acessos ao lazer, à cultura e ao trabalho limitados. Nessa conjuntura, é imprescindível uma transfiguração dessa realidade.
Torna-se evidente, portanto, que informação é necessária para combater o impasse. Logo, cabe ao Ministério da Educação, junto à Secretária Especial de Cultura, criar um concurso redacional que aborde a problemática nos três níveis de ensino (fundamental, médio e superior). Desse modo, milhões de estudantes tomarão conhecimento acerca do entrave, e os veículos midiáticos, por meio de reportagens especiais e notícias jornalísticas, divulgarão a temática à população em geral. Assim, pelo fato de o racismo ser discutido, haverá mudanças positivas de comportamento em, pelo menos, parte do tecido social, assim como em um dos episódios de “Todo Mundo Odeia o Chris”.