ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 13/11/2021
“Jamais esconda seu rosto; deixe suas mãos onde possam ser vistas; não ande com seu celular nas ruas, nunca se sabe quando irão confundir com uma arma…”. Essas, e outras recomendações, eram dadas para crianças de apenas 7 anos no filme “O ódio que você semeia”. No decorrer da trama, é retratado o assassinato de um dos familiares ao ser “identificado” com uma pistola nas mãos por um policial que, por negligência profissional, confundiu um pente com o objeto. Fora da ficção, muito se discute sobre a emergência da luta contra o racismo estrutural no Brasil, uma vez que o preconceito enraizado cultural e histórico afeta o corpo social negro no âmbito social, educacional e profissional.
De início, mostra-se relevante apontar o racismo presente no decorrer da construção da nação brasileira, desde o período imperial, como impulsionador do preconceito vigente. Nesse sentido, recai, com apenas 2 anos após a Lei Áurea ser estabelecida, o crime de vadiagem que prendia todo cidadão negro visto com um pandeiro na mão. Sob esse viés, ao ser estimulada a denúncia, a população reiterava qualquer disseminação cultural negra e afro-brasileira por considerar inferior ou fútil. Desse modo, percebe-se o desenvolvimento de uma hostilidade cultural e histórica no território nacional que, por sua vez, fortalece o preconceito até os dias atuais.
Ademais, é lícito postular as consequências do racismo estrutural para os negros no País. Posto isso, o diretor da ONG Educafro, Frei David, após dados oficiais do mercado de trabalho afirmarem que a população negra é a parcela com piores condições de trabalho, renda e desemprego, alega que tais fatores são respostas da cultura marginalizada e da estruturação racial. Dessa forma, é nítido identificar as sequelas que isso acarreta (precarização no ensino, nas ofertas de emprego e crimes), pois pelas condições que o negro é submetido, é inviável negar que é quase impossível de haver um rompimento desse ensejo, visto que não há apoio do Estado no eixo educacional, social e trabalhista, tendo assim, um ciclo infinito.
Depreende-se, portanto, a emergência da luta contra o racismo estrutural. Para isso, é mister que o Governo Federal, por meio da Legislação Brasileira, reforme as ações afirmativas do País, a fim de assegurar mais segurança na educação e trabalho dos negros – postulando mais cotas raciais nas faculdades e aumentando taxas de porcentagem nas empresas –, além de conscientizar a população, por intermédio da mídia e das escolas, sobre o racismo e disseminar a luta contra esse preconceito. Desse modo, casos como o do filme “O ódio que você semeia”, escassos pelo Brasil, assim como tal discriminação.