ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 01/02/2022
Na light novel ’’ The Rising of the Shield Hero’’, o protagonista Naofumi Iwatana sofre diversas críticas e humilhações por ser o único herói do reino que não pode portar uma arma, mesmo sendo o mais forte entre os heróis existentes. Tal sofrimento vivido pelo personagem da obra se assemelha bastante à realidade dantesca presenciada pelas vítimas do racismo, uma vez que são atribuídas, antecipadamente, a elas valores que, muitas vezes, subjugam a sua dignidade. Logo, faz-se urgente analisar o passado histórico brasileiro e a negligência social para desconstruir de vez essa grave afronta ao verdadeiro Estado Democrático de Direito.
Nesse contexto, é notório destacar a importância de uma profunda análise do panorama histórico brasileiro para que se possa entender as causas e as consequências dessa grande mazela social: o racismo. A esse respeito, o pensador oriental Confúcio afirmou que era necessário estudar o passado para prever o futuro. Nesse sentido, o pensamento desse grande filósofo mostra-se coerente com essa discussão, tendo em vista que o corpo social brasileiro, ao longo dos séculos, foi construído a partir de visões preconceituosas de seus colonizadores. Esses preceitos foram incorporados, de maneira gradativa, e são reproduzidos por uma parte da sociedade, que ainda encontra dificuldades de superar valores retrógrados que afirmam que brancos são superiores ou que religiões de matriz africana são hereges. Destarte, desconstruir esses pensamentos é a medida que se impõe.
Outrossim, é válido afirmar que a inércia social corrobora os efeitos que esse racismo histórico ocasiona na contemporaneidade. Já dizia a socióloga Hannah Arendt, em seu conceito de ‘‘Banalidade do Mal’’, que comportamentos errôneos tendem a se tornar corriqueiros e cotidianos. Nesse viés, quando se observa a naturalização das consequências nocivas do preconceito racial - proibido por lei- por uma parte da sociedade, a visão pessimista de Arendt acerca da realidade torna-se certeira. Tal omissão social colabora, por conseguinte, com as dificuldades que os negros enfrentam, por exemplo, para obterem ofertas de empregos vantajosas ou terem acesso a um sistema de ensino humano e qualificado. Nesse cenário, também é possível destacar que, de acordo com o Atlas da Violência, os negros são os que mais sofrem homicídios no país. Desse modo, mitigar essa mazela faz-se crucial.
Fica clara, portanto, a necessidade de adoção de medidas para combater esse problema. Nesse ínterim, cabe ao Ministério da Educação desenvolver palestras e debates acerca do assunto, principalmente em horários noturnos e nas redes sociais, por meio de profissionais capacitados, como sociólogos e psicólogos, a fim de combater essas posturas arcaicas, herdadas ao longo do processo de formação do corpo social brasileiro. Assim, os direitos humanos serão alcançados por todos.