ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 10/04/2022

Na canção “A Carne”, a cantora e compositora brasileira Elza Soares faz uma denúncia à condição do racismo presente na vida de milhares de cidadãos que, como consequência discriminatória, ainda são desprestigiados em todos os campos sociais. Apesar de 20 anos após o lançamento da obra, o contexto acerca do preconceito contra raças se faz de presente no cotidiano. Isso ocorre, seja pela cultura criada de que os negros devem ser subservientes aos brancos, seja pela tolerância estatal neste caso.

A Lei Áurea, assinada em 1888 pela princesa Isabel, determinou o fim da escravidão. Entretanto, esta medida não foi suficiente para conter o racismo que era predominante em todas as esferas sociais, afinal, muitos cidadãos negros ainda sofreram pela exclusão e violência moral e física. Em consonância, derivado da alimentação da cultura racista criada, a grande parcela de pessoas negras ainda sofre as consequências herdadas deste passado, uma vez que é claro a discrepância das oportunidades entre negros e brancos. De acordo com o IBGE, 60% dos desempregados hoje são autodeclarados pardos ou pretos apesar de estes serem em maioria no território brasileiro, uma vez que a população autodeclarada branca constitui-se em somente 43,5%.

Ademais, este imbróglio é causado também pela negligência governamental. A lei Afonso Farinos foi a primeira criada com fito de combater o preconceito racial no Brasil em 1951, 60 anos após o fim da escravatura. Desse modo, é indubitável que, apesar do notório avanço das leis no combate ao racismo, as medidas protetivas e de justiça chegam de forma tardia, o que permite que os praticantes desta classe de discriminação se sintam protegidos e livres para cometer os mesmos atos discriminatórios.

Infere-se, portanto, que o racismo é uma problemática que deve ser solucionada. Desta forma, se faz necessário uma parceria entre o Poder Judiciário e o Ministério da Educação para combater esta prática com a classificação deste ato como crime hediondo, assim como a implementação de palestras que apresentem a história dos negros no Brasil com fito de conscientizar, desmistificar a cultura racial criada e, de tal forma, garantir uma população unida e livre de injustiças e preconceito.