ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 14/08/2023
No livro “O Cidadão de papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de diversos mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente — metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, por exemplo, os desafios para combater o racismo no território brasileiro. Isso é causado pela irracionalidade e pelo silenciamento midiático, fatos que perpetuam esse problema.
Efetivamente, conforme o conceito de “Banalidade do mal”, trazido pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, isso evidencia a irracionalidade em relação à pouca importância dada ao aumento do racismo no Brasil, configurando a trivialização da maldade que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Nesse viés, percebe-se que a população normalizou o preconceito de raça e cor diariamente relatada por pessoas que sofrem violência física, verbal e são desvalorizadas e, sendo assim, não dá a devida atenção para a exclusão que tal exigência causa. Por conseguinte, muitos cidadãos no país vivem situações degradantes, como problemas psicológicos, por exemplo.
Além disso, de acordo como o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Sob essa ótica, observa-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de conhecimento do povo sobre a importância de políticas públicas e denúncias, demarcada pela ausência do respeito e empatia em relação à exploração e a mortalidade por conta do racismo, prefere não se posicionar sobre o tema, uma vez que grande parte dos espectadores da imprensa compõe camadas sociais privilegiadas que não sofrem com o problema supramencionado. Consequentemente, a falta de respeito e empatia contra a população negra se perpetua no Brasil.
Portanto, fica a cargo do Ministério da Educação criar campanhas informativas em plataformas de “streaming”, como YouTube, Netflix e tiktok. Isso deve ocorrer por meio de curta-metragens e de vídeos lúdicos sobre os caminhos para combater o racismo. Essa ação tem a finalidade de remediar não somente a irracionalidade, mas também o silenciamento dos fatos, contrapondo o elucidado por Arendt.