ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 18/04/2018
A Carta Magna de 1988 – documento de maior soberania no território nacional – assegura a todos os cidadãos o direito à educação, sem distinção de qualquer natureza, e, nesse contexto, também estão inseridas as práticas educativas destinadas às pessoas surdas. Apesar disso, observa-se que a lenta mentalidade social vai de encontro a esse direito na prática e, dessa forma, a educação inclusiva desses indivíduos configura-se como um grande entrave a ser enfrentado na contemporaneidade.
Em primeiro plano, Zygmunt Bauman enfatiza que a principal característica da modernidade líquida é a substituição da ideia de coletividade. Partindo desse pressuposto, nota-se que o corpo social tende a priorizar os indivíduos que encaixam-se nos padrões sociais impostos, excluindo aqueles que se opõem a tais padrões – inclusive os surdos – e, desse modo, priorizam o individualismo em detrimento da coletividade. Logo, é possível observar que o maior obstáculo no que tangencia a educação para pessoas com limitações auditivas é o mesmo proposto por Bauman na obra ‘’Modernidade Líquida’’: o individualismo.
Outrossim, é significativo o desafio da introdução de pessoas com deficiência auditiva no contexto escolar. Posto isso, cabe destacar que até meados do início do século XXI o sistema educacional abrigava dois tipos de serviço: a escola regular e a escola especial. Contudo, na última década, houve uma gradativa modificação nessa última instituição de ensino a fim de adotar apenas a escola regular, a qual tem como objetivo acolher todos os educandos independentemente de quaisquer diferenças. Contrapondo tal ótica, é válido analisar que a escola regular não promove o seu devido papel de inclusão, haja vista o despreparo do corpo escolar, sobretudo de docentes, para com essa questão.
Destarte, para que haja o devido cumprimento da Constituição Federal de 1988, algumas medidas, portanto, tornam-se indispensáveis. Nesse sentido, compete ao Governo, na figura do Ministério da Educação, a integração de temas de educação e inclusão social na grade curricular escolar com o fito de promover a abordagem e incorporação de pessoas com limitações auditivas no meio social, a exemplo de minicursos referentes a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), de modo que assegure o respeito a esses indivíduos e experimente, de fato, a inclusão social na prática. Com efeito de tal medida será possível, efetivamente, ao Brasil alcançar a posição de Estado Democrático de Direito.