ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 19/04/2018
Mundialmente conhecido como ‘‘país tropical’’, o Brasil é destacado como um território com grande diversidade cultural, étnica e religiosa. Entretanto, apesar dessa pluralidade, o país é palco de uma intensa marginalização de minorias, como os deficientes auditivos. Mesmo que existam inúmeros projetos de inclusão no ambiente escolar, percebe-se uma falha na concretização de tais medidas, fazendo-se necessário conhecer as raízes dos obstáculos que impedem a formação educacional dos surdos.
Primeiramente, é importante destacar a ineficácia do sistema de ensino brasileiro na inserção desses deficientes no ambiente escolar. Apesar de garantido por lei, o ensino através da linguagem brasileira de sinais (LIBRAS) é pouco ou ainda inexistente nas instituições de ensino: são poucos os professores especializados nessa área. Isso se deve, na maioria das vezes, à falta de ênfase dessa disciplina na grade curricular acadêmica. Em consequência da falha no projeto pedagógico para atender esses indivíduos, apenas uma pequena parcela é capaz de ter um ensino acessível, contrapondo-se ao princípio de equidade, base da democracia brasileira, proposto pelo filósofo Aristóteles.
Ademais, convém enfatizar o preconceito sofrido pelos surdos nessas instituições. Historicamente, todo indivíduo nascido com alguma deficiência, na Antiguidade Clássica, era considerado uma maldição dos deuses e, consequentemente, era sacrificado. Analogamente, no cenário atual, ainda que não sejam mortas por suas anomalias, essas pessoas ainda sofrem discriminação: pode-se citar a prática do bullying. Diante disso, muitas acabam afastando-se do convívio escolar, favorecendo, assim, nos baixos índices de escolaridade dessa parcela e, portanto, na menor atuação no mercado de trabalho, corroborando essa segregação.
Fica evidente, portanto, a importância de reivindicar a inclusão educacional dos surdos. Dessa maneira, faz-se necessário que o poder executivo, através do corte de gastos públicos desnecessários, como os altos salários dos políticos, destine verbas para a implantação de um projeto pedagógico específico para essa minoria, tais como a capacitação dos professores e a compra de aparelhos tecnológicos que auxiliem o ensino. Outrossim, com o apoio do ministério da educação, deve promover oficinas de aprendizagem das LIBRAS para os demais alunos, a partir da atuação de profissionais especializados. Assim, será possível garantir que os estudantes com deficiência auditiva sejam inclusos no princípio da equidade garantido em nossa democracia brasileira.