ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 23/04/2018
Tirar dúvidas com o professor, participar de aulas práticas, entender a explicação. Atividades consideradas simples para a maioria dos alunos. No entanto, devido à falta de acessibilidade, tornam-se extremamente difíceis para os inúmeros cidadãos portadores de deficiência auditiva, negando para essa parcela social um direito fundamental garantido na constituição: o direito à educação. Essa constatação exige uma reflexão sobre os principais aspectos que causam esse descaso social.
O sociólogo Polonês Zygmunt Bauman explica, em sua “modernidade líquida”, a perda da sensibilidade pela dor do outro na sociedade pós-moderna. Sob essa ótica, percebe-se que apesar da Língua Brasileira de Sinais ser o segundo idioma oficial da nação, torna-se extremamente raro encontrar instituições de ensino que promovam o ensinamento dessa linguagem ou possuam em seu corpo docente profissionais capacitados para comunicar-se nesse idioma. Lamentavelmente, pode-se afirmar que esse problema agrava-se nas cidades interioranas, onde, consequentemente, a fiscalização é menor. Nesse contexto, deve-se ressaltar a inoperância do Estado, uma vez que caberia a este garantir a inclusão social no país.
Além disso, deve-se analisar uma triste ação que ocorre nas escolas brasileiras: o preconceito. “Na essência somos iguais, nas diferenças nos respeitamos”. A assertiva de Santo Agostinho parecia não prever a existência desse ato cruel no país, em que apenas por serem diferentes, os portadores de deficiências são constantemente vítimas de humilhação, colocando em risco sua formação educacional. Sob essa perspectiva, devido ao baixo número de escolas exclusivas, essa parcela social acaba vendo-se sem opções para estudar, infelizmente, sendo obrigados a viverem às margens da sociedade, sem o direito à educação.
Diante do exposto, fica clara a necessidade de uma intervenção na questão educacional dos surdos no Brasil. Por isso, cabe ao Governo Federal, através de concursos públicos, aumentar significativamente o número de agentes de fiscalização no país, visando uma maior inspeção nas escolas, garantindo que estas possuam profissionais capacitados para atender os deficientes auditivos, consequentemente, garantindo a estes o direito primordial da educação. Além disso, compete às instituições de ensino, por meio de palestras educativas com portadores de necessidades especiais, remodelar o pensamento popular de seus alunos, explicando-lhes que, apesar das diferenças, todos são dotados de direitos inalienáveis, dignos de respeito e igualdade, visando extinguir esse terrível ato que é o preconceito nas escolas brasileiras, garantindo educação para todos. Nesse contexto, torna-se válida a assertiva de Kant: “O homem nada mais é do que aquilo que a educação faz dele”.