ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 24/04/2018

Segundo Aristóteles, “devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade”. Não é difícil perceber, porém, que essa premissa não é seguida no Brasil, principalmente no que se diz respeito à integração da população surda. Avaliar as causas desse problema e entender os seus efeitos na contemporaneidade é essencial para combatê-lo.

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que se trata de um problema estrutural, visto que nunca houve uma inclusão efetiva dos surdos no país. Isso se deve ao fato de que o ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), apesar de ser a segunda língua oficial do país, ainda é bastante incipiente e, portanto, apenas uma pequena parcela da sociedade sabe como se comunicar com os surdos. Nesse contexto, a integração dos deficientes auditivos, principalmente nos ambientes escolares, se torna um alvo distante, pois a comunicação e a socialização são características constitutivas do ser humano e, quando em falta, o indivíduo é desestimulado a frequentar as instituições de ensino.

Além disso, as instituições de ensino do país, em geral, não estão aptas a receberem alunos surdos. Embora a Constituição Federal assegure o ensino em LIBRAS para os deficientes auditivos nas escolas, muitas destas, devido à falta de estímulo do Estado, não possuem profissionais qualificados para a inclusão desses alunos. E, para piorar o quadro, quando o surdo consegue, finalmente, ter acesso à educação inclusiva, ao se formar não consegue ingressar no mercado de trabalho devido ao preconceito com o qual esse grupo ainda é tratado. À vista disso, o ingresso dos deficientes nas escolas diminui consideravelmente, de modo a perpetuar um ciclo desumano de exclusão social.

Vê-se, portanto, que o problema em voga é mais amplo e complexo do que aparenta. Para solucionar a problemática, é fundamental que o Ministério da Educação adicione o ensino básico de LIBRAS nas escolas a fim de que, com o tempo, a sociedade brasileira seja realmente inclusiva. Além disso, é importante que, com o auxílio de organizações não governamentais, esse órgão oferte cursos aos profissionais das instituições de ensino, para que estes estejam preparados, não só para receber deficientes auditivos, como também para poder lecionar a disciplina de LIBRAS nos ambientes educacionais. Com essas atitudes, o Brasil estará cada vez mais perto de tornar a premissa de Aristóteles uma realidade.