ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 29/06/2018
Atualmente, muito se discute sobre os direitos do homem, mas foi no século XVII que foi instituído a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, pelos franceses. Esse documento dava a todos o direito à igualdade, à fraternidade e à liberdade. Embora esses direitos tenham sido incorporados na Constituição Federal Brasileira e ser dever do Estado e da sociedade garanti-los a todos, ainda há uma parcela que tem os seus direitos violados: os surdos. Além disso, é público e notório que o direito ao acesso desses indivíduos à educação especial tem sido negligenciado. Por certo, a falta de escolas especiais, profissionais qualificados, estrutura física e de material específico para o ensino inclusivo tem sido um fator limitante da formação educacional de surdos.
Em uma primeira análise, é preciso destacar que, durante o Segundo Reinado o Imperador Dom Pedro II fundou a primeira escola para surdos, porém, quase duzentos anos após sua criação, o número de escolas e professores preparados ainda não é suficiente para a demanda. Por exemplo, foi divulgado pelo Ministério da Educação que quase 25 mil alunos surdos, dos mais de 30 mil, frequentam o ensino comum com professores sem preparo às suas limitações, enquanto isso, deveriam estar em classes especiais e com professores treinados para compreender e maximizar o seu aprendizado.
Em uma segunda análise, destaca-se a falta de recursos de tecnologia assistiva e de estrutura física, desafios esses que são enfrentados pelos deficientes auditivos. Enquanto alunos “normais” não necessitam de certas particularidades, como computadores adaptados e a linguagem de sinais, os surdos precisam dessas ferramentas essenciais ao seu processo de aprendizagem. Negligenciar essa conjuntura, de acordo com a ideia de Immanuel Kant de que “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, configura-se um impedimento à educação e à transformação que o saber provoca no indivíduo.
Portanto, prover uma educação inclusiva é proporcionar autonomia, crescimento pessoal e participação social aos surdos, por consequência, é legitimar os direitos garantidos pela Constituição Federal Brasileira. Logo, cabe ao Poder Público e às Secretarias de Educação incentivar e investir na formação de professores, promovendo cursos, palestras, debates, encontros que enriqueçam esse profissional e o torne apto a trabalhar com a aprendizagem desse grupo. Ademais, cabe ao Ministério da Educação implementar as escolas existentes com recursos tecnológicos, adaptação física do ambiente escolar, para que a aprendizagem possa acontecer mais facilmente. Por isso, em virtude do pensamento de Kant, o panorama educacional de deficientes auditivos no Brasil só mudará quando a educação poder os transformar.