ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 14/05/2018
A dificuldade para a formação educacional de surdos no Brasil se destaca principalmente pela carência do ensino de Libras nas escolas e universidades regulares do país, implicando na falta de comprometimento em socializar indivíduos com deficiência total auditiva e pessoas normais fisicamente, já que o acesso à educação especial é bem limitado na nação.
Historicamente, a inserção das pessoas com deficiência total auditiva na sociedade tradicional foi bastante turbulenta, visto que até o século XX, os surdos, assim como qualquer outro indivíduo portador de necessidades especiais, eram comumente chamados de inválidos, ou seja, indivíduos sem valor, tanto do ponto de vista profissional, quanto moral, generalizando-os como um grande fardo para a família naquela época, e embora o preconceito fosse amenizado com o tempo, só a partir dos anos 2000 adotou-se a formalidade de se referir aos surdos como indivíduos com deficiência, já que durante a primeira e segunda guerra mundial, essas entidades eram chamadas de “incapacitados”, e posteriormente na década de 60, aderiu-se o termo “deficiente”, que ainda passaria por mais duas alterações, sendo elas “pessoas especiais”, e por fim, “portadores de deficiência”.
A socialização dessas pessoas com a sociedade dita até então tradicional ainda não foi efetivada, uma vez que apenas 2,5% da população é fluente em libras, ao passo que existem mais de 10 milhões de surdos no Brasil, segundo a Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (Feneis).
A medida que o inglês se torna fundamental para o crescimento profissional de um indivíduo, a fluência em libras quase entra em estagnação no país, este, que ironicamente reconhece a língua brasileira de sinais como o segundo idioma oficial do Brasil, ao passo que a língua inglesa é ensinada nas instituições de todos os níveis de ensino, evidenciando a incoerência legislativa, que garante ao menos uma língua estrangeira no pacote educacional regular e restringe o ensino de sinais apenas às escolas especiais.
Portanto, o principal caminho para a socialização e formação educacional dos surdos no país é impor a obrigatoriedade do ensino de libras por meio de uma legislação federal em todas as instituições de ensino do país, tanto na educação fundamental, quanto ensino médio e superior, promovendo a possibilidade da convivência entre pessoas sem deficiência e indivíduos com perda total auditiva na própria escola, quebrando a separação existente até então entre esses cidadãos por conta da existência de escolas especiais para deficientes desse porte. O Estado também deve promover através de incentivos fiscais, as empresas que se adequarem ao profissionalismo de pessoas surdas em seu ambiente de trabalho, de modo a exigir ou beneficiar os empregados que são fluentes na língua brasileira de sinais, possibilitando a contratação de surdos sem nenhum problema comunicativo entre a equipe.