ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 18/05/2018
Funcionando como a primeira Lei de Newton, a Lei da Inércia afirma que a tendência dos corpos é permanecer em repouso até que uma força atue sobre eles e mude o seu percurso, a educação de deficientes auditivos também é um problema que persiste inerte e enraizado na história sociocultural brasileira. Visto que, fatores familiares, escolares e constitucionais, ao invés de funcionarem como forças impulsionadoras de mudanças, acabam mantendo ou piorando a problemática atual. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tais forças negligentes que afetam a sociedade.
Atrelado ao determinismo histórico, vale ressaltar que a má formação sócio educacional do brasileiro, sendo ela familiar e escolar, é um fator determinante para a permanência do problema. Segundo Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Posto que a discriminação contra deficientes auditivos ainda se perpetua devido aos estereótipos. Assim, uma mudança nos valores culturais de uma sociedade é fundamental. Ou seja, a inclusão de surdos na sociedade é necessária para o combate ao preconceito e, assim, transpor as barreiras à formação educacional de surdos.
É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo Aristóteles, por meio da justiça, o equilíbrio deve ser alcançado na sociedade. No Brasil, o número de alunos surdos matriculados em escolas públicas e a quantidade de professores especializados é sub-representado, algo que não deveria ser. Dado que, pessoas que não têm acesso à educação se submetem a uma condição de exclusão e preconceito, além de precariedade financeira. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista Johm Locke, configura uma violação do “contrato social”, posto que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis (como direito à educação). Rompendo, assim, o equilíbrio social de Aristóteles.
Portanto, é indispensável que o Poder Legislativo crie leis mais rígidas que auxiliem a inserção desse grupo. Programas governamentais, como por exemplo, oferta de cursos gratuitos de educação e cuidados com deficientes auditivos para os docentes. O Ministério da Educação poderia fazer uma campanha com imagens informativas sobre o assunto e estampá-las em sacolas de supermercados, dando visibilidade ao caso. Além de promover palestras, apresentações artísticas culturais e criar um aplicativo com jogos e filmes educacionais que combatam o preconceito contra os surdos - uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo.