ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 25/07/2018

Consoante ao poeta Cazuza, “eu vejo o futuro repetir o passado”, a questão das dificuldades para ofertar educação aos deficientes auditivos não é atual. Desde a época da monarquia brasileira, quando o imperador Dom Pedro II inaugurou a primeira escola voltada para o atendimento de surdos, essa vicissitude é uma realidade. De mesmo modo, na contemporaneidade, as dificuldades para a resolução dessa problemática persistem, seja pela falta de um corpo docente capacitado para atender os não ouvintes, seja pela falta de escolas especializadas no atendimento dessa classe social.

Em primeiro lugar, cabe pontuar a falta de capacitação dos professores, essa que acaba por dificultar a aprendizagem dos deficientes auditivos, como parte do problema. Segundo o INEP, apenas 12% das faculdades federais do Brasil oferecem graduação em LIBRAS. Aliado a isso, a pouca grade curricular dos demais cursos de licenciatura, na matéria de linguagens de sinais, acaba por prejudicar a proficiência dos docentes nessa modalidade de ensino educacional de forma que, ao concluírem sua licenciatura, poucos são proficientes nesse meio de comunicação, impactando diretamente na qualidade do ensino ofertado para os não ouvintes. Em decorrência de tal situação, os surdos acabam por ficar isolados do convívio social em sala de aula, acarretando assim, em grande maioria dos casos, a evasão escolar do aluno que por se sentir excluído não se sente confortável com o ambiente escolar.

Outrossim, destaca-se a falta de escolas especializadas na promoção de educação para os surdos, como fator que aprofunda a problemática. No ano de 1857, foi criada a primeira escola voltada para o atendimento de deficientes auditivos no Brasil, mostrando assim a preocupação da época em capacitar tal classe social. Embora tal pensamento estivesse presente na sociedade séculos atrás, lamentavelmente, tal ideal parece ter sido esquecido, haja vista a falta dessas escolas no país que acaba por obrigar os deficientes auditivos a frequentarem escolas convencionais, muitas delas, sem qualquer infraestrutura para os receber. Em consequência de tal cenário, alunos surdos não conseguem acompanhar, na maioria das vezes, o ritmo de estudos de uma sala de aula mista onde a língua vocal é  a que predomina, ocasionando assim uma segregação desses indivíduos.

Diante dos fatos supracitados se faz necessário a criação de meios para a inclusão de deficientes auditivos na educação brasileira. Portanto, o Ministério da Educação deve reformular a grade curricular dos cursos de licenciatura, de forma que seja aumentada a carga horaria de matérias de LIBRAS, para assim os docentes possam sair das faculdades preparados para ensinar através da linguagem de sinais. Ademais, o Governo deve criar centros educacionais especializados na educação dos surdos, para atrair os não ouvintes para a escola, de forma que possam ter um maior rendimento escolar.