ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 07/08/2018

Atualmente, muito se discute sobre os direitos do homem, mas foi no século XVIII que foi instituído a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, pelos franceses. Esse documento dava a todos o direito à igualdade, à fraternidade e à liberdade. Embora esses direitos tenham sido incorporados na Constituição Federal Brasileira e ser dever do Estado e da sociedade garanti–los a todos, ainda há uma parcela que tem os seus direitos violados: os surdos. Além disso, é público e notório que o direito ao acesso desses indivíduos à educação especial tem sido negligenciado. Por certo, a falta de escolas especiais, profissionais qualificados e o preconceito da sociedade têm sido fatores limitantes da formação educacional de surdos.

De fato, destaca–se que, durante o Segundo Reinado, o Imperador Dom Pedro II fundou a primeira escola dedicada ao ensino de pessoas surdas, porém, quase duzentos anos após sua criação, o número de escolas e professores preparados ainda não é suficiente para a demanda. Por exemplo, foi divulgado pelo Ministério da Educação que quase 25 mil alunos surdos, dos mais de 30 mil, frequentam o ensino comum com professores sem preparo às suas limitações, enquanto isso, deveriam estar em classes especiais e com professores treinados para compreender e maximizar o aprendizado.              Além disso, evidencia–se que o preconceito da sociedade ainda é um dos fatores da exclusão dos deficientes auditivos nas escolas. Enquanto alunos ‘‘normais’’ não necessitam de certas particularidades, como computadores adaptados e a linguagem de sinais, os surdos precisam dessas ferramentas essenciais ao seu processo de aprendizagem, por isso, em sua maioria, são excluídos devido as suas necessidades. Dessa forma, muitos dos conceitos e pensamentos de Paulo Freire, como no que diz que ‘‘se aprende com as diferenças e não com as igualdades’’, deveriam ser adotados, visto que priorizam, não só a inclusão do indivíduo surdo no ensino, mas também ambientaria os demais alunos no mundo dos deficientes auditivos.

Portanto, prover uma educação inclusiva é proporcionar autonomia, crescimento pessoal e participação social aos surdos, por consequência, é legitimar os direitos garantidos pela Constituição Federal Brasileira. Logo, cabe ao Poder Público e às Secretarias de Educação incentivar e investir na formação de professores, promovendo cursos, palestras, debates, encontros que enriqueçam esse profissional e o torne apto a trabalhar com a aprendizagem desse grupo. Ademais, é função das instituições de ensino promover a desconstrução do preconceito dos demais alunos, utilizando–se de campanhas educacionais, teatros e atividades pedagógicas ou lúdicas, que busquem incluir e fortalecer o respeito à diversidade, pois só assim o ensino de surdos brasileiros poderá começar a mudar.