ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 07/08/2018

Talvez Foucault estivesse enganado: No Brasil, a vigilância do Panóptico social é falha e não resolve, suficientemente, os problemas da formação educacional de surdos. O filósofo, possivelmente, estaria assustado com os dados que se referem à decrescente taxa de surdos matriculados em instituições de ensino especial, enquanto a sociedade não vigia e ignora esse óbice. Essa constatação, que evidenciou problemas educacionais, compromete o desenvolvimento social dos deficientes auditivos, exaltando a necessidade de se buscar caminhos para garantir formação digna a eles.

É importante ressaltar, em primeira análise, as causas associadas à precária formação educacional de surdos no Brasil. Ampliando-se o sentido semântico do Panóptico, a vigilância da sociedade funciona como instrumento de controle preventivo. Não obstante, a falta de incentivos relacionados à educação bilíngue, denunciada pela decrescente taxa de surdos inscritos em instituições que ofertam classes especiais, aliada à negligência do Estado, que não busca eficientes meios de democratizar o acesso ao ensino em todo o território nacional, demonstra que a microfísica do poder vigilante do Panóptico de Foucault, que deveria inserir uma cultura de inclusão nas instituições sociais, não está funcionando por descaso estatal e por que a sociedade permanece passiva diante do impasse. Esses problemas não podem ser ignorados quando se objetiva superar desafios educacionais.

Ademais, é importante refletir sobre a repercussão desses óbices para a formação educacional e social dos surdos. Da obra ‘‘1984’’, de George Orwell, infere-se que expor os problemas sociais pode salvar a sociedade, pois abre caminhos para o pensar e para as soluções. Nesse sentido, é necessário dizer que a deficiência na oferta de educação de qualidade para surdos repercute na formação integral do indivíduos, à medida que a língua, segundo a teoria do relativismo linguístico, é essencial na construção da identidade social e individual. Nesse contexto, o problema de formação suprime o desenvolvimento irrestrito dos surdos, necessitando, pois, de soluções.

Urgem, portanto, ações sinérgicas entre Governo, Sociedade e Mídia a fim de solucionar os desafios da formação educacional dos surdos. Para resolvê-los, é cabível que o Estado promova a construção de escolas especializadas - as quais, é importante detalhar, tornarão o ensino especial mais acessível -, legislando, por coalizão entre Legislativo e Executivo, a criação de fundos com esse objetivo. Outrossim, deve ser implementado pelo MEC, nessas instituições, o programa Formação integral, objetivando a capacitação de professores e a oferta de cursos de LIBRAS abertos ao público, para que exista uma maior integração entre os surdos e a sociedade. À mídia cabe o seu papel social de debater a problemática. Destarte, o Panóptico tornar-se-á consciencial.