ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 08/08/2018
Talvez Foucault estivesse enganado: no Brasil, a vigilância do Panóptico social é falha e não resolve, suficientemente, os problemas da formação educacional de surdos. O filósofo, possivelmente, estaria assustado com os dados que se referem à decrescente taxa de surdos matriculados em instituições de ensino especial, enquanto a sociedade não vigia e ignora esse óbice. Essa constatação, que evidenciou problemas educacionais, compromete o desenvolvimento integral dos deficientes auditivos, exaltando a necessidade de se buscar caminhos para garantir formação digna e irrestrita a eles.
É importante ressaltar, em primeira análise, as causas associadas à precária formação educacional de surdos no Brasil. Segundo a visão ampliada do conceito de Panóptico, a vigilância da sociedade funciona como instrumento de controle preventivo. Não obstante, a falta de incentivos relacionados à educação bilíngue, denunciada pela decrescente taxa de surdos inscritos em instituições que ofertam classes especiais - dados do Inep -, aliada à negligência do Estado, que não busca eficientes meios de democratizar o acesso ao ensino inclusivo em todo o território nacional, demonstra que a microfísica do poder vigilante do Panóptico de Foucault, que deveria inserir uma cultura de inclusão nas instituições, não está em funcionamento por descaso estatal e por que a sociedade permanece passiva diante do impasse. Esses óbices não podem ser ignorados quando se objetiva superar desafios educacionais.
Ademais, é importante refletir sobre a repercussão desses óbices para a formação educacional dos surdos. Da obra ‘‘1984’’, de George Orwell, infere-se que expor os problemas sociais pode salvar a sociedade, pois abre caminhos para o pensar e para as soluções. Nesse sentido, é necessário dizer que a deficiência na oferta de educação de qualidade para surdos repercute na formação integral do indivíduo, à medida que a língua, segundo a teoria do relativismo linguístico, é essencial na construção da identidade social e individual. Nesse contexto, o problema de formação suprime o desenvolvimento pleno dos surdos. Necessita-se, pois, buscar alternativas para assegurar formação digna a eles.
Urgem, portanto, ações sinérgicas entre Governo, Sociedade e Mídia a fim de solucionar os desafios da formação educacional dos surdos. Para resolvê-los, é cabível que o Estado promova a construção de escolas especializadas - as quais, é importante detalhar, tornarão o ensino inclusivo mais acessível -, legislando, por coalizão entre Legislativo e Executivo, para a criação de fundos de governo com esse objetivo. Outrossim, deve ser implementado pelo MEC, nessas instituições, o programa Formação Integral, com o objetivo de capacitar professores e de ofertar cursos de LIBRAS abertos ao público, para que exista uma maior integração entre os surdos e a sociedade. À mídia cabe o seu papel social de debater a problemática. Destarte, o Panóptico tornar-se-á consciencial.