ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 23/08/2018

Segundo o sociólogo Pierre Bordieu, uma educação efetiva é aquela voltada para as necessidades do aluno, Nesse sentido, a formação educacional de surdos no Brasil deve ser planejada e aplicada conforme o que diz a declaração universal dos direitos humanos de 1948, destacando-se a responsabilidade do Estado quanto a aplicabilidade de políticas direcionadas à portadores de necessidades de necessidades especiais.

Com efeito, dados da Organização Mundial de Saúde apontam que existem cerca de 24 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil. Em particular, portadores de necessidades auditivas enfrentam dificuldades comunicacionais ocasionadas por falhas educacionais na formação de professores, na criação de programas específicos e no ínfimo acesso à aquela que é a segunda língua mais falada do mundo: a linguagem de libras.

Além disso, falhas na educação desses indivíduos prejudicam sua inclusão social. Para o filósofo Habermas a comunicação é o cerne da democracia, e sem trocas de informação não há cidadania. Desse modo, faz-se necessário pensar em novas formas de aprendizagem. O pedagogo Paulo Freire defende que os processos educacionais em sala de aula sejam bilaterais, de modo que os professores e estudantes convivam e aprendam com as experiências uns dos outros, essa forma de pensar educação facilitaria a interação e agregação dos surdos nas escolas.

Diante desse panorama, é incontrovertível que haja políticas públicas voltadas para a inserção educacional de surdos no Brasil. Para tanto, o Ministério Público em consonância com o Ministério da Educação devem investir na capacitação de professores, na popularização do ensino de libras nas escolas regulares e incentivar debates que levem a introdução de uma educação inclusiva. Tais medidas terão a finalidade de garantir a plena cidadania a essa parcela da população, pois como afirma Kant: “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”.