ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 05/09/2018

Segundo Émile Durkheim, um dos célebres teóricos do Período Oitocentista, a sociedade pode ser comparada a um “organismo vivo” por apresentar mecanismos funcionais integrados. Hodiernamente, contudo, a ausência de políticas de inclusão é responsável por nutrir os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Destarte, a integração entre os segmentos do “organismo biológico” não é realizada e, consequentemente, não apenas os índices educacionais são afetados, mas também o aprimoramento social.

Antes de tudo, nota-se que a criação e manutenção dos estereótipos têm limitado a inserção escolar de surdos. A estigmatização desses deve-se a visão preconceituosa de que são seres intelectualmente inferiores, incapazes de aprender. Isso porque, o Poder Público têm se mostrado negligente ao não assegurar uma educação inclusiva de qualidade. Porém, parte da sociedade tem aceitado esse quadro crítico sem questionar. A naturalização desse problema pode ser explicada a partir do estudos da filósofa Hannah Arendt, visto que devido a um processo de massificação as pessoas estão perdendo a capacidade de discernir o certo do errado. Como resultado, a ausência de mobilização coletiva em prol dos direitos dos surdos tornara-se escassas.

Outrossim, a lógica Aristotélica reza que a poética deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, a harmonia seja alcançada na sociedade. Sob tal conjuntura, é possível perceber que a discriminação da sociedade em relação ao jovens surdos rompe com essa harmonia; uma vez que, embora esteja previsto na Constituição o princípio da isonomia, as pessoas resistem a oferta de emprego aos deficientes auditivos, e infelizmente, isso acontece com frequência e sem nenhuma fiscalização assídua e compromissada.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano e dos direitos dos surdos. - uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador - a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral - por conseguinte - conscientizem-se. Além disso, é imprescindível que o Poder Público destine maiores investimentos à capacitação de profissionais da educação especializados no ensino inclusivo e às melhorias estruturais nas escolas, com o objetivo de oferecer aos surdos uma formação mais eficaz. Ademais, cabe também ao Estado incentivar a contratação de deficientes por empresas privadas, por meio de subsídios e Parcerias Público-Privadas, objetivando a ampliar a participação desse grupo social no mercado de trabalho.