ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 28/09/2018

É indubitável que a educação brasileira é materialização da ignorância governamental, não obstante trata-se um direito constitucional que abrange qualquer indivíduo. Conquanto, grupos de minorias como os deficientes auditivos chocam-se em empecilhos que impendem sua formação educacional, uma vez que  necessitam  ferramentas pedagógicas específicas para alcançar à escolarização. Ademais, a falta de inclusão desse grupo ao mercado de trabalho ocasiona em uma acentuada exclusão social.

Destarte, os números de jovens surdos matriculados no ensino básico decrescem 20% a cada cinco anos , de acordo com INEP. As causas para esse fato concretizam-se na falta de preparo dos profissionais pedagógicos e por consequência nas escolas inaptas estruturalmente à receber esses alunos. Ainda que na Constituição seja pautada à educação bilíngue, tendo Libras como primeira língua, o número de professores e funcionários da educação que possuem esse domínio torna-se incipiente frente à quantidade de alunos e escolas.  A falta de representatividade social e política dos surdos causa à invisibilidade perante ao Estado, desse modo políticas públicas  para a inclusão do deficiente auditivo não são realizadas, comprometendo assim a sua formação e qualidade de vida.

Apesar de todas as dificuldades, expostas, para o grupo de surdos escolarizar-se, ao sair do ensino médio são submetidos a falta de acessibilidade e preconceito  pelo mercado de trabalho. É nítido a concorrência para as vagas de emprego no Brasil, entretanto é necessário que a disputa seja igual e aberta a qualquer cidadão, todavia na realidade não ocorre. Por parte, responsabilidade das normas empresariais que não implementam cursos que incentivem o aprendizado de Libras, por consequência a comunicação torna-se impossível no ambiente de trabalho. O outro lado responsável, é o preconceito enraizado na sociedade, que acredita que os surdos possuem algum grau de inferioridade intelectual por sua condição, contribuindo consideravelmente  para exclusão social desses indivíduos.

O descaso e restrição educacional com os deficientes auditivos, portanto, está intimamente relacionado a ausência de representatividade política e social, falta de acessibilidade do mercado de trabalho e ao preconceito. A partir disso, é necessário que o Ministério da Educação exija que 50% dos profissionais da educação possuem fluência na linguagem de Libras, outrossim incentivos fiscais aos fabricantes de livros didáticos, para que sejam produzidos todos os livros do ensino público também em braille. Concomitante, o Governo Federal deve estabelecer que ao mínimo 2% dos cargos políticos sejam ocupados por representantes dos surdos, para que assim o grupo ganhe visibilidade e tenha seus direitos assistidos. Para Immanuel Kant é na educação que assenta os problemas de aperfeiçoamento da humanidade, por isso se faz necessário a inclusão educacional para o avanço social.