ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 03/10/2018
Na alegoria platônica da caverna, o homem é interpretado como um ser acorrentado e imerso em sombras, sendo o conhecimento a sua única fonte de libertação e iluminação. Hodiernamente, os deficientes auditivos brasileiros assemelham-se ao ser acorrentado incapaz de superar a sua condenação à caverna pela educação, devido não só a inobservância pedagógica do Estado brasileiro, como também pelo intrínseco preconceito da sociedade contemporânea.
No que se refere à problemática em questão, a falta de preparo da grande maioria das instituições de ensino no Brasil figura-se como um dos desafios fundamentais. Isso se deve ao fato dos baixos investimentos do governo, que deveriam assistir na formação de profissionais especializados nas necessidades de ensino dos deficientes auditivos e também em material didático adaptado e inclusivo, o que não se visualiza efetivamente. Ademais, ainda que o ensino da língua de libras seja obrigatoriedade constitucional, poucos são os incentivos salariais para a formação de educadores versados nessa língua, abismando ainda mais a condição de marginalidade da pessoa surda.
Entretanto, o despreparo das instituições de ensino não é o único fator decisivo na defasagem da educação aos surdos. Evidencia-se, também, o preconceito da sociedade, na medida que perpetua uma visão distorcida da capacitação dos deficientes auditivos. Duvida-se muito da intelectualidade da pessoa surda, devido à sua limitada habilidade de comunicação. Contudo, a psicologia moderna tem desmistificado esse perspectiva com sua teoria da múltiplas inteligências. Segundo tal teoria, as formas de inteligência humana vão além da mera capacidade comunicativa. Nesse sentido, os surdos são extremamente capazes de exercerem as mais variadas faculdades de conhecimento e são, também, igualmente aptos à executarem as mais variadas profissões no mercado de trabalho, expandindo seus conhecimentos de mundo.
Dado o exposto, fica claro as razões da debilidade na educação dos deficientes auditivos e, consequentemente, as medidas necessárias para reversão desse caso. Cabe ao Poder Executivo, em parceria com o Ministério da Educação, o direcionamento de verbas para composição e aquisição de material didático adequado aos surdos, além de estimular o domínio da língua de libras pelos professores mediante incentivos salariais. Ademais, cabe as mídias, em sua responsabilidade social, a veiculação de peças publicitárias que desconstrua a falsa perspectiva da limitação mental dos surdos, por intermédio do rádio, televisão e internet. Com essas e outras medidas, talvez e finalmente, a pessoa surda liberte-se das suas correntes e emirja das suas sombras, como quer Platão.