ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 11/10/2018
Na Grécia Antiga, os deuses condenaram Sísifo a rolar incessantemente uma rocha até o cume de uma montanha de onde a pedra se precipitava por seu próprio peso. Semelhantemente, é o desafio dos surdos no que tange à educação, pois, frequentemente possuem rochas, empecilhos em especial a sua formação educacional. Isso porque a própria infraestrutura das instituições educacionais são insipientes, bem como o contínuo estigma vivenciado por esse grupo.
Em primeira instância, cabe destacar o contexto estrutural em que as escolas brasileiras estão inseridas. Ao discorrer sobre a educação, Paulo Freire ressalta que essa deve ser libertadora de tal forma que todos participem dela de forma efetiva. No entanto, na prática isso não ocorre, visto que as escolas e universidades pouco dispõem de recursos. Sendo assim, a ausência na grade curricular da disciplina de libra e docentes incapacitados dificultam o aprendizado e ingresso ao mercado de trabalho dos surdos.
Além disso, o preconceito presenciado pelos deficientes auditivos tolhem as possibilidades de uma melhor formação acadêmica para esses. De acordo com o filósofo Nietzsche em sua Teoria do Super-Homem, o homem superior seria aquele capaz de libertar-se das amarras sociais de seu tempo. Todavia, o homem hodierno vai contra esse pensamento, uma vez que discrimina os surdos em sua condição de deficiente físico. Um exemplo nítido, é a prática do bullying nas escolas o que acarreta o isolamento social e decorrente evasão escolar.
Infere-se, portanto, que a realidade brasileira, na formação educacional dos surdos, é consternadora. Por isso, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com as secretarias do Estado implante nas escolas e universidades o ensino da língua de sinais e oferte especialização aos docentes a fim de aperfeiçoar a educação e corroborar com o ingresso dos surdos no mercado de trabalho. Ademais, é fundamental que a mídia em parceria com o Ministério da Cultura, realize campanhas para mitigar o bullying e contribuir efetivamente com a inclusão social dos deficientes auditivos. Só assim, poderá se verificar uma sociedade mais justa e empática a respeito dessa problemática.