ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 14/10/2018
Segundo o filósofo Aristóteles, “Tratar os desiguais a medida de sua desigualdade se configura em justiça”. No Brasil, por outro lado, observa-se que esse preceito não é cumprido no tocante às pessoas surdas, cuja privação ao direito de uma formação educacional mostra a situação de preconceito e exclusão a qual esses cidadãos são submetidos.
Primordialmente,urge analisar que o descaso do poder público impede a concretização do direito constitucional de acesso dos surdos à educação. É notório que a ausência de escolas bem preparadas para receber alunos com esse tipo de privação sensorial faz com que muitos deles não tenham a oportunidade de matrícula. Além disso, é visível que, apesar da matéria de libras se obrigatória nos cursos de licenciatura, os professores não são devidamente preparados para lidar com esses educandos, dificultando o processo de ensino aprendizagem. Essa situação torna-se ainda pior quando observamos a carência das escolas em relação a disponibilidade de tecnologias assistivas, que facilitariam o desenvolvimento do aluno.
Em outra análise, é incontestável que os preconceitos existentes na sociedade amplificam o processo de marginalização. De modo geral, a sociedade e as próprias famílias não estão devidamente preparadas para lidar de maneira correta com pessoas surdas. Isso se deve ao fato do tema ser pouco discutido na esfera pública, colaborando para manutenção de tabus e ideias errôneas sobre essa camada da população. Outrossim, percebe-se que todos esses fatores acabam por dificultar o acessos dos surdos aos mercado de trabalho, diminuindo suas autonomia.
Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar esse impasse. Cabe ao Ministério da Educação garantir o acesso das pessoas com deficiência auditiva a educação, por meio da criação de habilitação de instituições que facilitem sua aprendizagem, além de implementar a formação de educadores especializados e competentes na área da educação inclusiva, visando garantir que os alunos surdos sejam tratados com equidade, de modo a concretizar o preceito aristotélico. Além disso, cabe às mídias, em comunhão com a sociedade civil, discutir o tema para “desmontar” visões preconceituosas.