ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 16/10/2018
A Declaração Universal dos Direitos humanos - promulgada pela ONU em 1948 - delineia que o direito à educação deve ser garantido a todos, sem distinções. No entanto, quando se observa a realidade dos surdos no Brasil -país signatário da declaração- percebe-se que, infelizmente, essa minoria não tem acesso a esse benefício da forma adequada, seja pela inoperância governamental, seja pela negligência social.
Primeiramente, a ineficácia do aparato estatal impede a garantia de uma educação eficaz aos surdos. Sob tal ótica, o sociólogo Zygmunt Bauman elaborou o conceito de ‘‘instituições zumbi’’, no qual algumas instituições, inclusive o Estado, deixam de cumprir sua função na sociedade, mantendo apenas sua forma. Destarte, a ausência e, em alguns casos, a ineficácia de políticas públicas governamentais ocasionam a permanência da exclusão educacional dessa parcela.
Além disso, o preconceito e a falta de empatia do modelo atual de sociedade impactam negativamente nessa questão. As ações sociais, de acordo com o jurista alemão Max Weber, são pautadas pelos valores que moldam a estrutura social. Dessa forma, em uma estrutura dotada de relações cada vez mais superficiais e menos éticas, pouco é feito por essa minoria. Com efeito, instituições sociais como a escola e as faculdades deveriam incutir valores mais respeitosos nos cidadãos, o que não acontece na prática.
Portanto, diante da negligência estatal e da falta de empatia do corpo social, medidas precisam ser tomadas. A secretaria do Tesouro Nacional, por meio do Ministério do Desenvolvimento Social, deve destinar mais recursos para a criação de programas sociais que atendam essa minoria. Ademais, as instituições de ensino, com supervisão do Ministério da Educação, devem inserir a disciplina de solidariedade e cidadania na base curricular, com o fito de incutir valores mais éticos na sociedade e mudando assim o quadro de preconceito existente.