ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 22/10/2018
Na Idade Antiga, os espartanos nascidos com alguma deficiência física eram condenados à morte. No Brasil hodierno, essa prática é considerada abominável, porém a segregação social associada à deficiência, infelizmente, persiste. Haja vista que milhares de brasileiros surdos sofrem com a precariedade de suas formações educacionais. Isso se deve, sobretudo, às escolas pouco inclusivas e à sociedade preconceituosa.
Em primeira análise, instituições de ensino sem profissionais qualificados para educar pessoas com deficiência auditiva são uma grande barreira para a inclusão e formação dessas pessoas. Nesse sentido, conforme Matthew Kelly no livro “The Rhythm of Life”, “se você julgar um peixe pela sua capacidade de escalar uma árvore, ele gastará toda sua vida acreditando que é estúpido”. Portanto, em consonância com o pensamento do escritor, os surdos devem ter direito à educação de qualidade, como todos os outros cidadãos, no entanto devem ter um tratamento adequado às suas necessidades, como professores com formação em Libras, aulas sobre inclusão social e atividades que desenvolvam o potencial desses alunos.
Por outro lado, uma sociedade a qual julga pessoas com deficiência inferiores ou incapacitadas - assim como a sociedade espartana - é um obstáculo à democratização do ensino e ao ingresso desses indivíduos no mercado de trabalho. Nesse aspecto, as Paralimpíadas são um forte exemplo de que as deficiências físicas podem ser limitantes, contudo, não são incapacitantes. De modo que, por intermédio da prática esportiva, adequada às necessidades de cada deficiência, os atletas demonstram que suas capacidades são imensuravelmente maiores que suas limitações. Logo, a crença de que os surdos não são aptos a aprender, se formar e trabalhar no mercado de trabalho convencional, é irracional e deve ser confrontada.
Destarte, é inegável a necessidade de medidas interventivas. À vista disso, cabe ao Ministério da Educação financiar cursos para qualificação de profissionais, como formação de Libras para professores do ensino fundamental, médio e superior, e cabe às escolas promover aulas inclusivas e atividades lúdicas, as quais fomentem a inclusão social, com o objetivo de assegurar o direito à educação de qualidade para todos os deficientes auditivos. Ademais, é fundamental que o governo incentive campanhas midiáticas e ficções engajadas - como novelas televisivas que retratem o tema -, a fim de conscientizar a sociedade a respeito da cidadania e da capacidade dos deficientes. Assim, com essas medidas, os desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil serão confrontados.