ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 23/10/2018
Desconstruindo preconceitos, garantindo direitos
Durante o período imperial brasileiro, Dom Pedro II, então imperador, preocupou-se em constituir a primeira escola dedicada à população surda. Entretanto, na atualidade, percebe-se que tal legado de zelo pelo indivíduo com perda auditiva total está se degenerando. Com a constante queda no número de surdos matriculados em escolas normais e especiais no Brasil, desponta-se a necessidade de discutir as deficiências no sistema educacional brasileiros, bem como os preconceitos arraigados na sociedade, de forma a combatê-los.
Em primeiro plano, é válido analisar como as deficiências em infraestrutura e comunicação dificultam o aprendizado do surdo. De acordo com John Rawls, teórico do igualitarismo liberal, somente fornecendo condições equitativas de disputa é possível formar uma sociedade justa e ética. Todavia, tal teoria não se encontra adequadamente aplicada na realidade brasileira: apesar de Libras ser considerada a segunda língua oficial do país, não há quantitativo de profissionais falantes para atender aos alunos, do mesmo modo, as escolas não são adaptadas para tais.
Conjuntamente a isso, o imaginário social tupiniquim ainda se demonstra extremamente excludente para com o deficiente. Já isolados socialmente pela dificuldade comunicativa, os surdos encontram sólidas barreiras para ascender socialmente ou, até mesmo, para ter direitos básicos, garantidos pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, respeitados. Exemplo disso é a dificuldade da inserção no mercado de trabalho, ainda dependente de sistemas de cotas para deficientes que não suprem a demanda.
Diante do exposto, evidenciam-se as dificuldades socioeducacionais enfrentadas pelos surdos e a urgência de mitigá-las. Para tal, o governo, com o auxílio do Ministério da Educação, deve tornar obrigatório o ensino de Libras no ensino fundamental, inciando também programas de capacitação de professores para exercerem esse ensino. Ademais, ONG’s de apoio aos deficientes podem realizar passeatas e divulgar conteúdos nas redes sociais desconstruindo preconceitos e, assim, garantindo a efetivação dos direitos da população surda.