ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 26/10/2018
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Dessa forma, para que esse organismo seja igualitário e coeso, a integridade dos direitos do indivíduo e do cidadão deverão ser respeitados. Hodiernamente, contudo, os presentes desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil rompe esse equilíbrio. Logo, a fim de reverter essa situação, uma análise acerca de suas causas, que estão ligadas à ingerência governamental e ao preconceito ainda em voga, faz-se necessária.
A priori, destaca-se a insuficiência de medidas políticas como um dos propulsores do embargo. Consoante Platão, a preservação da justiça entre os indivíduos é primordial para se atingir a homeostasia social. Não obstante, embora esteja previsto na Constituição Federal o acesso à educação como um direito inviolável, segundo o Inep, entre os anos de 2011 e 2016, o número de alunos surdos matriculados nas redes de ensino brasileiras reduziu-se em cerca de 30%; o que destoa da concepção do filósofo e atesta a inépcia do Estado como promotor do bem-estar social.
Outrossim, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, as sociedades pós-modernas se caracterizam pelo crescente pensamento individualista em detrimento dos atos solidários entre as pessoas. Analogamente, devido à falta de empatia e de respeito às diferenças , ainda são comuns a disseminação de atos preconceituosos e discriminatórios por alunos e professores, mediante “brincadeiras” maldosas e constrangedoras, contra deficientes físicos no âmbito estudantil, uma conjuntura que, lamentavelmente, dificulta as interações interpessoais e desmotiva os alunos surdos a frequentarem escolas e faculdades.
Destarte, medidas são necessárias para resolver o impasse. Nesse aspecto, é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio da Receita Orçamentária, insira na grade curricular universitária cursos destinados à capacitação pedagógica dos professores, concernentes à relação com alunos surdos, de modo a melhorar a interatividade e tornar o ambiente estudantil mais agradável e atrativo aos deficientes auditivos. Ademais, objetivando romper o preconceito referente aos surdos nas escolas e universidades, palestras que abordem o respeito na sociedade, ministradas por agentes sociais nesses locais, também deverão ser promovidos.