ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 28/10/2018

Durante o processo de abertura democrática após duas décadas de ditadura civil militar, a Constituição de 1988 foi amplamente debatida e institucionalizada como o documento mais importante da federação. No entanto, alguns preceitos elaborados nesse contexto ainda encontram obstáculos significativos para sua plena efetivação. Tal situação pode ser evidenciada pelos problemas que a população surda enfrenta diariamente, como o preconceito e o insuficiente suporte do Estado, para acessar a educação, fundamental para exercer sua cidadania, que é preconizada pela Constituição.

Nesse sentido, a população surda representa um segmento social que necessita de atendimentos especiais para exercer seu papel social devido à sua condição sensorial ser diferente do restante da sociedade. Portanto, em concordância com o pressuposto aristotélico de que o ser humano precisa participar das questões políticas para manifestar sua potencia como animal social, é um dever do Estado garantir à população com deficiência auditiva o acesso a formação educacional, essencial para a participação pública. Porém, a ineficiência ou mesmo a inexistência de políticas de inclusão está afastando muitos indivíduos que carregam em si uma série de especificidades do exercício da cidadania.

Além disso, o historiador Edward Said identificou que dos aspectos referentes ao poder exercido pelos Estados Unidos sobre o mundo árabe no século XX baseava-se na criação de estereótipos com fim de dominação cultural. Essa noção pode ser estendida para compreender o preconceito enraizado na sociedade brasileira acerca dos deficientes. Pois, por muito tempo cultivou-se a equivocada ideia de que a deficiência representaria necessariamente uma desvantagem social e uma capacidade intelectual menor, ou seja, cultivou-se um estereótipo sobre a população deficiente. Logo, percebe-se que  esse estereótipo  alimentou um preconceito que persiste na mentalidade do senso comum  e que dificulta o acesso do surdo às questões sociais.

Sendo assim, para honrar a Constituição de 1988 e garantir aos surdos o acesso à educação é preciso que o Estado eduque a sociedade civil e seja mais conciso no que tange à elaboração de políticas de inclusão. Primeiramente, o Ministério da Cultura deve incentivar a criação de museus e espaços interativos com o tema da deficiência auditiva abertos para a comunidade com intuito de aproxima-la da realidade vivenciada pelo surdo, inspirar tolerância  e amenizar o preconceito. Além disso, o Ministério da Educação deve incluir o ensino de Libras, língua oficial da comunidade surda, no currículo do ensino médio afim de munir a sociedade com ferramentas que possibilitem a inclusão. Assim, o Brasil poderá garantir a educação e, por conseguinte, a cidadania da população surda.