ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 30/10/2018

Na antiga Esparta, crianças que nasciam com deficiência eram assassinadas, tendo em vista que não poderiam ser guerreiras, profissão mais valorizada na época. Atualmente, essa prática não existe mais, entretanto há enorme dificuldade para garantir o direito à educação dos deficientes, em especial os surdos, devido à falta de interesse do Estado a essa problemática e ao preconceito ainda existente na sociedade.

Em primeiro plano, é necessário evidenciar o fato de que o governo não contribui de forma efetiva para a formação educacional dos surdos. Isso porque o Estado não cobra das instituições de ensino a existência de aulas especializadas, ministradas em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), como também não dispõe de material didático específico para os surdos. Prova disso, é o fato da LIBRAS ser reconhecida como a segunda língua oficial do Brasil e mesmo assim não ser ensinada para a população durante sua formação. Por consequência disso a comunicação com a população falante é dificultada, o que acaba aumentando a exclusão e o preconceito sofrido pelos deficientes auditivos.

Além disso, nota-se que a discriminação experimentada pelos surdos é um grande desafio para a formação educacional desse grupo. Isso pelo fato de que parte da população age como se os deficientes auditivos fossem incapazes de estudar e exercer uma profissão. Essas ideias estão enraizadas na sociedade desde a antiguidade, já que, de acordo com Francis Bacon, o comportamento humano é contagioso. Dessa forma, o medo do preconceito, que pode ser praticado até mesmo pelos professores, pode levar os surdos a desistirem do aprendizado nas instituições de ensino, fazendo com que seus direitos não sejam colocados em prática.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para garantir a formação educacional dos surdos no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), inserir na matriz curricular do ensino médio o ensino da LIBRAS, de forma que essa língua seja ensinada da mesma forma que o português nas instituições, com o objetivo de proporcionar maior acessibilidade dos surdos a educação. Aos cidadãos, por sua vez, compete repudiar a inferiorização dos surdos no território brasileiro, por meio de debates nas mídias sociais capazes de desconstruir a prevalência da ideia de que os surdos são diferentes e não devem ser inseridos no campo educacional. Assim, o Brasil poderá garantir os direitos de toda a população.