ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 31/10/2018
A vinda da Família Real para o Brasil em 1808 propiciou o desenvolvimento da educação, visto que a biblioteca do rei foi transferida de Lisboa para o Rio de Janeiro e diversos cursos foram criados. Entretanto, é indubitável que essa mudança não foi inclusiva: há, ainda, inúmeros desafios para a formação educacional de surdos no Brasil, como o preconceito que sofrem e a omissão do Estado, tornando necessária a tomada de medidas para resolver a questão.
Em primeiro plano, o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau afirmou que “a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável”. Isso demonstra com exatidão os efeitos advindos da violência e discriminação contra os surdos em território brasileiro, que, apesar de terem sua segurança garantida pela Constituição de 1988, não recebem a devida proteção na prática. Tal realidade ocasiona altos índices de evasão escolar, como comprovado em dados do INEP: de 2011 a 2016, o número de matrículas em escolas comuns diminuiu em quase 5 mil, pontuando a gravidade da negligência do Estado em âmbito escolar.
Além disso, a ausência de um ensino inclusivo e de um sistema eficaz de fiscalização na sala de aula só agravam a problemática: muitos professores são omissos quanto a práticas discriminatórias voltadas aos surdos; estes, por sua vez, não são inseridos completamente nas escolas, já que, muitas vezes, suas necessidades são incompreendidas pelos educadores e demais colegas. Assim, há a perpetuação do preconceito e exclusão social desse grupo em um ambiente que deveria produzir exatamente o oposto, fazendo-o se sentir confortável.
Em virtude dos fatos mencionados, o MEC deve capacitar profissionais da educação por meio de cursos preparatórios que os ajudem a entender de que modo podem contribuir para um ambiente mais inclusivo e com fiscalização mais veemente dos atos desrespeitosos à pessoa com deficiência auditiva, com professores, pedagogos e toda a comunidade escolar, visando sua inserção e bem-estar. Assim, as escolas se tornarão locais mais adequados ao aprendizado, o que diminuirá os índices de evasão escolar e, por fim, provarão que a citação de Jean-Jacques Rousseau não se aplica de forma absoluta à realidade brasileira.