ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 02/11/2018
Na obra “Ensaio Sobre a Cegueira” José Saramago versa sobre uma cegueira branca que acomete a sociedade. Tal perspectiva é uma alegoria para criticar o egoísmo e a falta de ética social. De forma análoga, ao analisar que os desafios da formação educacional de surdos não estão destaque na pauta de discussão política, evidencia-se o individualismo que tange a nação brasileira. Nesse contexto, cabe analisar, não apenas o comportamento de marginalização por parte do meio social, mas também a importância das instituições pedagógicas na redução dos desafios enfrentados por esses deficientes.
Fundamenta-se, em primeiro plano, a análise sociológica proposta por Saramago, que ao representar pelo titulo da obra, insinua o individualismo como uma deficiência coletivizada. Dessa forma, o indivíduo não é capaz de enxergar particularidades que assolam o ambiente a sua volta, dando ênfase apenas ás questões que cabem a sua realidade. Tal comportamento ao ser avaliado num âmbito social, resulta na exclusão e marginalização de deficientes auditivos, uma vez que as questões pertinentes a esses não integram as demandas de benefícios populares.
Outro ponto a ser destacado, é a ineficiência das escolas brasileiras no combate aos desafios dos surdos e como a atuação desse órgão é imprescindível na redução dos desafios enfrentados por esses deficientes. Dessa maneira, as questões deficitárias são tidas como particulares e exclusivas, e não de cunho governamental e corporativo. Diante desse cenário, percebe-se o descaso aos deficientes auditivos nas escolas públicas brasileiras, na falta de profissionais qualificados em libras e em treinamento específico para atender a demanda desses alunos, caracterizando o abandono social e governamental a esses indivíduos.
Diante do exposto, são necessárias medidas sociais e governamentais para solucionar a questão dos surdos no Brasil. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação, junto aos meios midiáticos, promova palestras e reuniões de cunho social, nas escolas, em ambientes de trabalho e acadêmicos, a fim de estabelecer a compreensão e a empatia a esses indivíduos. Além disso, é fundamental que esse órgão atente para a formação de profissionais voltados ao atendimento de deficientes auditivos, por meio de cursos profissionalizantes de comunicação em libras e de psicologia inclusiva. Diante dessas medidas, um Brasil mais inclusivo será vislumbrado.