ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 03/11/2018

O Brasil possui uma formação constitucional cidadã recente, com implementação gradativa dos preceitos contidos em seu texto, mediada pelas reivindicações dos movimentos sociais, pelo reconhecimento da legitimidade e pela confluência da coletividade. A priori, a inclusão dos indivíduos com necessidades especiais no tecido social, sobretudo nas atividades e serviços institucionais públicos ou privados, é uma incógnita elencada ao distanciamento, à segregação e ao estranhamento por parte da população. Esses desafios impõem-se desde as primeiras práticas de interação coletiva desses indivíduos, em específico os surdos, haja vista que as escolas inclusivas ainda não possuem bases epistemológicas de ensino, que efetivem o rompimento da bolha comunicacional na qual esses são inseridos, em relação à interação com os demais alunos e, a posteriori, com a sociedade.

Consoante a isso, em detrimento da atuação dos surdos na sociedade civil e de sua presença em diversos setores laborais, educativos e esportivos, dentre outros, perdura a ausência de práticas executivas de real reconhecimento e visibilidade para esses indivíduos. Isso não decorre da ausência de uma legislação específica, mas da ocultação das responsabilidades sociais e coletivas das instituições. Lato sensu, pode-se destacar a precária formação dos professores nas faculdades, para a atenção específica e a aplicação de metodologias educacionais direcionadas aos surdos. Por conseguinte, apesar do ensino das LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) para os deficientes auditivos, o restante dos alunos não são submetidos ao aprendizado dessa linguagem.

Em função disso, os surdos permanecem segregados do convívio social, muitos não concluem o ensino regular ou são imbuídos a realizarem leitura labial para dialogarem minimamente com outrem. À medida em que, existem poucas práticas de compreensão das deficiências e do papel coletivo dos indivíduos para a inclusão, o preconceito com os surdos torna-se latente nos setores empresariais pela agregação incorreta da incapacidade laboral. Não raro, a deficiência é taxada como invalidez pela incipiência na aplicação das medidas sociais de inserção desses indivíduos nos contextos coletivos.

Portanto, é necessário que a surdez seja pauta de debates e da divulgação permanente pelo Governo Federal, visando destituir a visão de incapacidade que se confunde com o real significado das deficiências. Inicialmente, é necessário que as faculdades abordem teorias educacionais e o ensino de LIBRAS para os futuros professores e que essa linguagem tenha seja disponibilizada gratuitamente por meio de cursos digitais pelo Ministério da Educação e da Cultura. Além disso, as ONGs tem papel essencial na intermediação para a inserção desses indivíduos no mercado de trabalho e no acesso aos serviços governamentais, logo, necessitam de patrocínio, promoção e apoio dos setores privados.