ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 15/11/2018
Segundo o filósofo da educação Paulo Freire, se a educação, por um lado, não altera o mundo, por outro sua ausência torna inviável qualquer mudança. Nesse sentido, verifica-se a importância da aprendizagem formal para o exercício pleno da cidadania por parte do indivíduo. Todavia, no atual contexto social brasileiro, a vivência de uma cultura voltada para a perfeição introduz obstáculos à formação do surdo tanto no meio em que se insere, quanto em seu lado psicológico.
O culto à perfeição estimula o afastamento de todos aqueles que não seguem o padrão vigente. Por esse motivo, deficientes auditivos se veem isolados e excluídos por seus colegas de classe que, fazendo uso de críticas diretas ou indiretas, aceleram o processo de desidentificação desse grupo em relação àqueles considerados normais perante o julgamento social. Tal postura culmina no desestímulo do surdo não só pela educação, mas também pela comunicação com outros indivíduos.
Somado isso, a cultura perfeccionista estimula um senso de inferioridade no mesmo. Mediante ao cenário em que vive, o deficiente auditivo pode desenvolver um senso de inadequação, sentindo-se não só diferente do outro, mas também menos capaz de atingir conquistas audaciosas, chegando ao ápice de um possível transtorno psicológico ou até mesmo à depressão. De acordo com o psicólogo e autor do livro “A auto-estima e seus pilares”, Nathaniel Branden, quando o indivíduo atinge um alto grau de descrença em sua capacidade de realização, isso tende a refletir na realidade, o que se torna um agravante ainda mais expressivo.
Portanto, é evidente o impacto da cultura da perfeição na formação do surdo no Brasil. Nesse sentido, as mídias televisivas devem abordar em suas programas a temática da igualdade existente entre os deficientes auditivos e o que não o são, de forma a conscientizar a sociedade sobre tal problemática. Além disso, as escolas devem promover eventos de integração por meio de atividades esportivas, visando trabalhar a empatia e a colaboração entre todos os envolvidos. Dessa forma, como exalta Paulo Freire, a educação será a fonte de mudança para todo brasileiro.