ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 09/04/2019

Promulgada em 1988, a chamada Constituição Cidadã universalizou o acesso à educação a todo e qualquer indivíduo que integre a sociedade brasileira. Hodiernamente, todavia, esse direito não é garantido em sua totalidade, o que resulta em diversos impasses no que tange a plena formação acadêmica da classe surda no Brasil. Dos fatores que potencializam essa problemática, destacam-se a negligência do aparato governamental e o segregacionismo social.

De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, “todo e qualquer desrespeito a honra, mesmo que não seja efetuado por meios físicos, configura-se como uma agressão simbólica”. Presentemente, a ideia “bourdieana” é um claro meio de comparação em relação ao descaso público e inconstitucional do Governo Federal em relação aos surdos. A lamentável condição a qual são deixados os deficientes auditivos é notória quando analisado o déficit estrutural em instituições de ensino públicas, que se tornam incapazes de exercer seu papel democrático.

Cabe mencionar, em segundo plano, o papel obstrutivo da sociedade como uma das principais mazelas em relação a formação educacional dos surdos. A lógica do pensador comunista Karl Marx definiu que “só se transmite aquilo que a classe dominante deseja.”. Consoante à teoria marxista, é possível estabelecer relações contemporâneas acerca do papel definido, comumente, ao surdo na sociedade brasileira. A “estereotipização” da pessoa surda como incapaz representa uma forma da fictícia classe dominante perpetuar conceitos errôneos e afastar todo indivíduo que, supostamente, diminuiria desempenho dessa elite, geralmente associada a padrões estéticos e biológicas. Em síntese, o atual espectro educacional da sociedade brasileira representa um ambiente intolerante e segregado

É notório, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de minimizar o desrespeito constitucional e social à honra do surdo no ambiente acadêmico. Destarte, é dever do estado, como agente regulador, realizar por meio do MEC, a elaboração de palestras, workshops e debates acerca do funcionamento de LIBRAS, o papel do surdo no ambiente social e a sua respectiva constituição biológica, com o fito de capacitar intelectualmente funcionários e alunos, pondo fim a visões errôneas e preconceituosas que se encontram estigmatizadas na sociedade. Outrossim, o Poder Público deve direcionar ações afirmativas à plena estruturação de instituições públicas, por meio da instalação de aparelhos projetados exclusivamente a esse público e a implantação de uma metodologia de ensino voltada a incluir totalmente o surdo ao ambiente educacional e ao mercado de trabalho, com o intuito de diminuir a atual distância entre o público deficiente auditivo e os demais, e, por conseguinte, gerar um ambiente acadêmico realmente inclusivo.